A Guerra da Ucrânia fecha o ciclo histórico iniciado com a queda do muro de Berlim?

"Em fevereiro de 2022, pode ter se iniciado uma nova era", escreve o colunista Arnobio Rocha

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(Foto: REUTERS/Gleb Garanich)


A sensação desta quinta-feira (25) foi a mesma dos anos de 1980, em que o medo de uma guerra nuclear a qualquer momento era tão comum. Todos sabíamos a quantidade de ogivas nucleares, o tipo de bomba, os avanços científicos do lado dos EUA, pois da antiga URSS nem sempre as informações poderiam ser confirmadas. Quantas noites e dias, batia o medo de que tudo fosse acabar, de repente um erro, uma bomba e um conflito se estabeleceria e era o fim da humanidade.

Era um clima terrível, melhor era não pensar, esquecer, reduzir-nos à nossa pouca significância, seguir a vida até onde ela pudesse ser vivida.

Alguns episódios foram marcantes, a queda do Skylab, que poderia cair em qualquer ponto da terra, por semanas aquela ameaça de desastre. Depois, em 1986, além da passagem do cometa Harley, cheia de presságios, de superstições. houve a hecatombe de Chernobyl, uma usina nuclear, atômica, numa das Repúblicas da URSS, justamente na Ucrânia. O maior acidente nuclear que se tem notícias, outros poderiam ter ocorrido, mas esse foi tão explorado, mesmo sem nenhuma imagem do local.

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De vez em quando tinha-se notícias de um novo teste de misseis atômicos, com capacidade de ir de Moscou para Washington, e vice-versa, até que veio a solução Reagan, o escudo contra misseis russos, a guerra nas estrelas se materializando aos nossos olhos, mas dava mais insegurança do que expectativa de dias melhores. Aparentemente o tal “escudo”, só protegeria os países do norte, quem morava abaixo do Equador, que lute.

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Esses pesadelos marcaram nossas vidas, nos anos 70 e 80, nem mesmo a militância política, aliviava uma certa tensão de medo de morrer a qualquer dia, um desastre nuclear.

Na metade dos anos 80, Gorbachev, vira o mandatário soviético e com a Glasnot e a Perestroika, foi desmontando o leste, os acordos pela destruição das armas nucleares, pois, não satisfeitos com a capacidade de destruição de uma vez, cada lado, teoricamente tinham armas para 8 mil possibilidades, a indústria da guerra nunca teve limites, nem naquela época, nem mesmo no presente.

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A virada seguinte, no apagar das luzes dos anos 80, foi o esfacelamento do Leste Europeu. Um a um os países foram derrubando seus governos ligados ao Kremlin, culminando com a queda do muro de Berlim, em novembro de 1989.

O medo da guerra fria, de uma guerra nuclear, parecia dissipado, mesmo com o arsenal nuclear dos dois lados, ainda presentes. A promessa de uma nova era, fim da história, um mundo globalizado e plural, não durou dois anos.

Em fevereiro de 1991, mal das pernas, Bush Pai, invadiu a primeira vez o Iraque, aproveitando do novo ambiente sem a dualidade com a URSS, em plena fragmentação. Dali em diante, foram diversas intervenções convencionais ou por meio de guerras híbridas. Depois do 11 de setembro se acentuou, com as invasões do Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, golpes na Ucrânia, Paraguai, Honduras, Brasil, fora as tentativas frustradas.

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Todo presidente dos EUA em dificuldade eleitoral, faz uma guerra para alimentar sua máquina armamentista, o patriotismo e o dinheiro de campanha, a ostentação de poder econômico e militar, dá votos.

Em fevereiro de 2022, pode ter se iniciado uma nova era, pelo menos se  fechou ciclo da queda do muro de Berlim, se fechou, a época dos EUA agindo como xerife global, invadindo, criando conflitos, derrubando governos, parece que chegou ao fim. A força da Rússia e o poderio econômico, silencioso da China apontam para outra realidade. Os músculos da Alemanha unificada e hegemônica na Europa, também afastam o continente da tutela dos EUA.

Que mundo começou ontem?

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