A guitarra elétrica criada na Bahia

O modelo acabado da guitarra baiana é único e também faz parte dos diversos modelos que existem no mundo. A guitarra elétrica também é nossa. Viva a Bahia!

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Nesta semana em que se comemora o Dia da Independência da Bahia (2 de julho), falarei um pouco sobre uma curiosa história que envolve o estado baiano com o instrumento típico da cultura estadunidense.  

Assistindo alguns documentários sobre a história do Trio Elétrico, carnaval de Salvador e da guitarra baiana de Dodô e Osmar, (famosa nas mãos da lenda viva, o guitarrista Armandinho), foi colocado em debate várias vezes sobre a possível origem da primeira guitarra elétrica do mundo, feita a partir da tecnologia aplicada nos já inventados e utilizados violões elétricos. Sempre nessas discussões aparecem as vozes de quem acredita que a guitarra elétrica foi criada na Bahia, juntamente com os efeitos de distorção, a partir de experimentos de Adolfo Nascimento e Osmar Macêdo, em 1941 com instalações elétricas em violão e cavaquinho, ligados nas caixas de som amplificadas.

Muitas pessoas que nasceram na Bahia a partir da década de 40 dizem que foi nas apresentações de Dodô e Osmar que eles primeiro viram a guitarra elétrica em ação.

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Nas histórias contadas pelos filhos Armandinho e Aroldo, juntamente com os amigos, radialistas, historiadores e outros artistas, há um caso onde Osmar assiste a um show do cantor Benedito Chaves, onde o mesmo cantava e tocava um violão elétrico que “dava microfonia”; isso despertou a curiosidade e encanto em Osmar, fazendo com que ele, juntamente com seu parceiro Dodô, construíssem, logo depois, modelos de violão e cavaquinho com a mesma técnica vista no violão do Benedito Chaves. Durante os testes com os sistemas elétricos nos respectivos instrumentos, houve a necessidade de cessar com as microfonias, pois estas estavam atrapalhando a qualidade do som. Foi quando eles perceberam que a estrutura oca do violão é que gerava esses “efeitos”, fazendo com que eles quebrassem e retirassem quase toda a estrutura do instrumento, deixando apenas o braço. Foi aí que se percebeu que naquela forma não havia mais microfonia, e olhando para o resultado do experimento, viu-se que se parecia com um pedaço de pau, criando-se assim, o apelido de “pau elétrico”. Após mais testes nas caixas amplificadas, pode-se perceber que a partir da manipulação dos níveis de volume, era possível também a criação de distorção, algo que só seria possível, (oficialmente), com o uso de pedais e pedaleiras, anos mais tarde.

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A verdade é que experimentos já haviam começado anos antes nos EUA para se criar um instrumento que se diferenciasse do violão. Algo mais forte, elegante, visceral e obviamente, viável para vendas, sendo essa última questão o que acabou dificultando seu lançamento definitivo. Na década de 30 a fábrica Rickenbacker e na década de 40 a companhia Gibson lançam as primeiras guitarras comercialmente aptas para serem tocadas ao vivo, e anos mais tarde, na década de 50, Leo Fender lançaria os modelos mais modernos que conhecemos hoje, popularizados por artistas como Jimi Hendrix. Mas no meio dessa história toda, o Pau Elétrico também dá a sua contribuição, com suas instalações elétricas, e modelo estético único.

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Durante a Segunda Guerra Mundial, havia no Brasil soldados americanos que passaram por aqui, pois Getúlio Vargas tinha cedido o estado do RN para uma base militar estrangeira. E muitos soldados frequentavam festas locais. Aroldo Macedo especula que, numa dessas festas é possível que algum soldado tenha visto ao vivo o pau elétrico sendo tocado e levado a ideia para seu país, contribuindo assim para a modernização do instrumento.

Analisando todos os fatos históricos é possível dizer com bastante tranquilidade que a Bahia também contribuiu para a criação, aperfeiçoamento e popularização da guitarra elétrica, sendo injusto a sua não inclusão na lista de tributários na invenção. O modelo acabado da guitarra baiana é único e também faz parte dos diversos modelos que existem no mundo. A guitarra elétrica também é nossa. Viva a Bahia!

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