A História que os Pariu

Claro que de um presidente eleito, declaradamente fascista, podemos esperar qualquer coisa. Entre elas uma decisão contrária à lógica econômica onde o equilíbrio comercial entre as nações não seja relevante. Se assim for, sorte de uns, azar de outros quando mais empregos forem perdidos no Brasil

A História que os Pariu
A História que os Pariu (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Sempre gostei de História. Muito devo ao meu pai que sempre me incentivou a leitura. Desde pequeno sou um devorador de livros e assim vou lendo um depois do outro. Não consigo ficar sem ler.

Um dos horrores desta última eleição foi a disseminação de notícias falsas. Algumas sobre fatos absurdos, mas muitas simplesmente sobre fatos históricos falsificados. Coisas passíveis de se informar em qualquer livro, ou mesmo na Internet.

Alguns destes fatos me dizem respeito como judeu progressista. Um exemplo disso foi de que o partido Nazista seria de esquerda. Seus defensores argumentaram que o nome do Partido era Nacional Socialista. De nada adiantou a própria embaixada alemã desmentir. Nem mesmo as pregações nazistas contra os comunistas mudou a opinião dos que acreditaram nisso. 

Outro fato marcante é que o governo do PT teria dado milhões de dólares ao Hamas, algo como dizer para um judeu que financiaram terroristas assassinos. Na mesma linha, afirmavam que os governos petistas seriam contra Israel. A verdade é que a política externa brasileira sempre foi favorável as resoluções da ONU contra Israel. Durante a ditadura militar votaram a favor da equiparação do Sionismo com Racismo e receberam a representação diplomática da OLP no país. Nada mudou nos governos civis até hoje. O que sim foi omitido é que o Presidente Lula foi o único presidente brasileiro a visitar Israel, e que ele sim, depositou flores no Museu do Holocausto como o fazem todos os líderes que chegam aqui pela primeira vez.

Com relação ao dinheiro para o Hamas, também querem falsificar a história. O governo brasileiro fez uma doação de 25 milhões de dólares para um fundo das ONU que lidou com a reconstrução daquele território. Dezenas de outros países o fizeram, muitos com somas muito superiores.

Todas estas informações estão acessíveis a qualquer um que tenha vontade de conhecer a história. Tudo pode ser esclarecido a um clique em qualquer computador, ou até mesmo em um celular. Não se trata de informação confidencial, ou de difícil acesso.

Qual é o problema então? A conclusão que se chega é que em uma guerra a verdade é a primeira baixa e que de fato, sem exagero, esta eleição foi uma guerra. Assistimos como nunca antes visto a disseminação massiva de informações falsas que foram sendo assimiladas como verdadeiras e criminosamente utilizadas para vencer a guerra. Tanto assim, que passada a eleição ainda recebo informações falsas todos os dias.

No meio judaico existe a convicção de as relações Brasil e Israel serão como uma lua de mel. O embaixador israelense no Brasil já teria visitado o presidente eleito. Este teria dito que visitaria Israel depois dos EUA (antes era o primeiro lugar a ser visitado, mas quem está contando). O primeiro ministro de Israel já teria confirmado sua vinda para o dia da posse. É muito amor incontido.

Tudo isto já faz com que se alvorocem empresários pensando que os negócios entre os dois países terão um grande incremento e já fazem as contas de quanto vão ganhar com isso. Talvez fosse o momento de contar que inúmeros acordos já foram firmados entre os dois países e o que sempre faltou foi liberação de financiamentos para investimento do lado brasileiro, talvez pelos números desfavoráveis na balança comercial. O acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel está em vigor desde 2010.

O comércio bilateral entre os dois países mostra que Israel importa do Brasil cerca de 400 milhões de dólares e exporta cerca de 900 milhões de dólares, mais que o dobro.

Então vale saber que o Brasil exporta para o mundo árabe mais de um bilhão de dólares e importa cerca de 600 milhões de dólares. Para quem sabe fazer contas, o comércio com Israel é deficitário para o país, enquanto que o comércio com o mundo árabe é favorável.

Nesta situação, desejar adquirir mais produtos israelenses, é aumentar o déficit comercial. Afinal, Israel é um país com 8 milhões de habitantes e o Brasil não tem muito o que nos oferecer.

Claro que de um presidente eleito, declaradamente fascista, podemos esperar qualquer coisa. Entre elas uma decisão contrária à lógica econômica onde o equilíbrio comercial entre as nações não seja relevante. Se assim for, sorte de uns, azar de outros quando mais empregos forem perdidos no Brasil.

Tudo que está informado neste texto se encontra documentado, seja em livros sobre a história, seja em informes oficiais que estão a disposição de qualquer um que deseje conhecer a finada verdade.

 

 

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