A hora da abertura comercial brasileira

Hoje somos um dos países mais fechados do mundo para o comércio internacional. A despeito do nosso tamanho e relevância da nossa economia, somos o mais fechado do G20, indo na contramão do mundo nesse campo

Hoje somos um dos países mais fechados do mundo para o comércio internacional. A despeito do nosso tamanho e relevância da nossa economia, somos o mais fechado do G20, indo na contramão do mundo nesse campo
Hoje somos um dos países mais fechados do mundo para o comércio internacional. A despeito do nosso tamanho e relevância da nossa economia, somos o mais fechado do G20, indo na contramão do mundo nesse campo (Foto: André Granha)
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O Brasil vem perdendo espaço no comércio internacional, onde o mundo todo avançou e nós regredimos. Hoje somos um dos países mais fechados do mundo para o comércio internacional. A despeito do nosso tamanho e relevância da nossa economia, somos o mais fechado do G20, indo na contramão do mundo nesse campo. Os dados do Banco Mundial mostram que, se tomarmos a média dos últimos cinco anos, o índice de comércio corrente do Brasil é o mais baixo entre 178 países. O índice é a relação entre a soma das importações e exportações e o PIB de cada país. Ou seja, mede a importância do comércio internacional e exportação e o PIB de cada país, medindo a importância do comércio internacional em relação à capacidade de geração de renda de um país.

Para a média do período de 2009 a 2015, o índice ficou em 25% para o Brasil, menor que os 31% da Argentina, 37% de Cuba (sim, somos mais fechados que a comunista Cuba), e 62% do México.

A nossa inserção nas cadeias globais de valor é muito pequena, usamos mecanismos de proteção comercial atrasados, em grande parte isso se deve a grupo de interesses que resistem a essas mudanças, existe um corporativismo em sindicatos patronais, sindicatos de empregados, associações empresariais, que funcionam como inibidores a mudança, em discussões que já foram superadas em outras partes do mundo, e sistematicamente voltamos a elas, discussões de 30 a 40 anos atrás, e com isso muitas vezes os mais pobres são os mais prejudicados.

Muitos economistas participam dessa visão nacionalista equivocada, e ainda defendem o Brasil produzir toda cadeia de produção dentro de determinado setor internamente, numa modelo totalmente equivocado, onde país algum do mundo faz isso, e ao fazer isso, faz com que diversas etapas da cadeia produtiva deixem de se beneficiar de inovações tecnológica, em máquinas e processos, que ocorrem nessas cadeias intermediárias ao redor do mundo, prejudicando a nossa produtividade, e tornando o nosso produto final pouco competitivo, caro e de qualidade inferior.

Assistimos recentemente a criação do Tratado de Livre Comércio Trans-Pacífico (TPP), onde EUA e mais 11 países fizeram um acordo histórico sobre comércio, o que vai dinamizar e muito o comércio entre esses países, e estamos fora dessa.

Desde o início do governo Lula, houve acordos comerciais com quarto países, e só um foi ratificado: com Israel, ao passo que foram firmados 400 acordos comerciais no mundo todo no período.

A própria presidente Dilma Rousseff, lançou esse ano o Plano Nacional de Exportações (PNE), onde reconhece a gravidade do problema e os prejuízos que nossa irrelevância causa ao país.

Em 2016 iremos representar um valor inferior a 1% do comércio global (em 2010 representávamos 1,4% do comercio mundial), posição vergonhosa para o país, que faz com que ano a ano perdemos relevância.

Já passou da hora do Brasil se aproveitar dos benefícios do comercio internacional, precisamos nos abrir mais para o mundo, com isso nos tornaríamos mais competitivos, o que só fará bem ao nosso país e ao nosso povo.

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