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Urariano Mota

Autor de “Soledad no Recife”, recriação dos últimos dias de Soledad Barrett, mulher do Cabo Anselmo, entregue pelo traidor à ditadura. Escreveu ainda “O filho renegado de Deus”, Prêmio Guavira de Literatura 2014, e “A mais longa duração da juventude”, romance da geração rebelde do Brasil

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A imortalidade do compositor de frevos Levino Ferreira

Mestre Levino Ferreira é maior que toda Inteligência Artificial

Frevo é Patrimônio Imaterial da Humanidade (Foto: Reprodução)

Nascido na cidade pernambucana de Bom Jardim, em dois de dezembro de 1890, Levino Ferreira da Silva já era imortal antes do acontecimento que vou narrar. Seus frevos de rua se tornaram os maiores do Recife, isso numa terra de gênios da música das multidões nas ruas, como Nelson Ferreira, Maestro Nunes, Zumba, Lídio Macacão.... toda uma geração de ouro da música instrumental de Pernambuco.

Sem muita pesquisa, lembramos “Mexe com tudo”

Frevo - Mexe com tudo (Levino Ferreira) - Arranjo: Spok Frevo Orquestra #frevo #carnaval #musica

Lágrimas de Folião

Lágrimas de Folião

E tantos, que não se encontram registrados no YouTube, apesar da ilusória crença de que a Internet tem tudo. Mas Mestre Levino Ferreira é maior que toda Inteligência Artificial. E devemos seguir agora para a sua mais incrível imortalidade.

Conta-se que em 1950, espalhou-se no Recife a triste notícia de que o genial maestro havia morrido. Veio gente de todos os bairros da cidade e de outras cidades também. Água Fria, Cajueiro, Beberibe, Cordeiro, Fundão, Campo Grande, Arruda, Encruzilhada, João Pessoa e Salvador. O desassossego e desconforto eram sem medida e universais. O problema, ou melhor, a maior solução da tragédia, foi que na altura ou na descida cruel quando o caixão do maestro se dirigia para o cemitério, o que aconteceu? O maestro levantou a tampa, sentou-se no caixão, e com a cara mais simples do mundo notou que estava entre flores. Que foram ao chão, segundo alguns frios, valentes e gélidos espectadores. Era inexplicável aquela ressurreição! Mas uma coisa do outro mundo? Não. O que aconteceu: o maestro havia sido vítima do mal que chamam de catalepsia, a doença em que o indivíduo apresenta sinais de morto e fica com a respiração imperceptível. Então houve o pânico. Foi gente correndo para todos os lados, menos para o caixão. Contam que até hoje existem pessoas correndo por Água Fria, Arruda, Encruzilhada e sertão do São Francisco.

O mais fecundo, de todas as coisas entre o céu e a terra, foi que o gênio do maestro, em vez de compor uma história macabra de Edgard Allan Poe, compôs o seu mais belo frevo, em que pôs o feliz nome de Último Dia. Melhor prova não há da sua imortalidade.

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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.