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Artur Figueiredo

Jornalista e professor, com especialização em comunicação. Colaborador do portal Yahoo, comentarista, colunista: rádios Poliesportiva, Metropolitana AM 1070, redator do portal Torcedores.com, Assessoria de Comunicação da equipe União Mogi e colunista do jornal Gazeta Regional.

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A indústria cultural do império

A arte da manipulação: a glamourização e relativização do genocídio em prol da narrativa de ‘espantalhos’ da famigerada democracia estadunidense

Bandeiras dos EUA e da Venezuela em ilustração (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração)

Recentemente, a teoria virou prática novamente, Donald Trump invadiu a Venezuela, cujo pretexto: devolver a democracia ao povo venezuelano. A ação militar liderada pelo chefe do executivo estadunidense se confirmou com destruição e sequestro do presidente, Nicolás Maduro e sua esposa.

A democracia sempre romantizada em Hollywood, mais uma vez ganha o tom, mas que na sua essência, não passa de uma ‘cortina de fumaça’, para manipular a opinião pública e construir um mundo maniqueísta de ‘espantalhos’ e ‘zumbis’, guerra sem uma justificativa, mas uma razão real: deter o petróleo venezuelano (maior reserva do planeta). Na coletiva de Imprensa, Trump mandou um recado para os demais líderes latinos, ‘aceitarem a nova ordem de poder e a subserviência aos interesses norte-americanos’, já em forma de indireta a Colômbia, outro alvo iminente.

O que se contextualiza historicamente, é o modus operandis do imperialismo, seja como protagonista ou como gerenciamento de diversas guerras pelo mundo. Se o terrorismo cantarolado pelo ocidente, de grupos, facções radicalizadas em torno do fundamentalismo religioso. O crescimento da ordem do terror se deve a sistematização da guerra, financiar regimes, em prol de riquezas: petróleo, minerais, etc..

Me recordo uma breve conversa com um professor francês que dizia o seguinte: “Estados Unidos é a maior máquina de genocídio do planeta. Destruir, matar é negócio. Grandes destruições demandam grandes reservas de dinheiro para a sua reconstrução. É nesse cenário que as tropas estadunidenses surgem, como verdadeiros parasitas. Empréstimos, dívidas eternas ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e a certeza da colonização, ou seja, domínio de território, controle da riqueza do mundo”.

Há algum tempo, Estados Unidos e o presidente Donald Trump arquitetam um projeto de colonização da América Latina. Seguindo fórmula de Iraque, Afeganistão de outrora, os inimigos invisíveis. Inimigos invisíveis? Sim. Saddam Hussein, famoso adversário da família Bush, (o ex-presidente iraquiano travou guerras imaginárias, com razões claras, o petróleo) e sim, Osama Bin Laden, principal líder do grupo extremista Al Qaeda, responsável pelo ataque as Torres Gêmeas, (ataque terrorista que vitimou milhares de pessoas). Mas, o que muita gente não sabe é quem ambos eram alinhados aos Estados Unidos, ao governo estadunidense em outro momento.

INVASÃO E PRISÃO DE MADURO - As tropas militares chegaram em solo Venezuelano no último sábado (03) já bombardeando e ultrapassando o cordão presidencial em que lá estavam, o presidente Nicolás Maduro e a sua esposa, Cilia Flores. O casal foi levado para uma prisão em Nova Iorque.

Segundo retados de setores de segurança e inteligência dos Estados Unidos, Maduro teria contatos com grupos narcotraficantes.

DECADÊNCIA NOS ESTADOS UNIDOS - O que se define nesse processo é o crescimento da decadência dos Estados Unidos em setores pontuais para sua economia, como fonte energética, insumos, dificuldade inclusive em commodities, na superinflação da carne e demais itens. Trump atua com a velha estratégia: culpabilizar imigrantes, criar inimigos invisíveis e manipular a opinião pública, A opressão como ferramenta democrática para distorcer fatos e construir narrativas.

O ‘VIRA-LATISMO NO BRASIL’ - A extrema direita representada por figuras, como: Tarcísio de Freitas, governador de Sao Paulo (republicanos), deputado Nikolas Ferreira (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), entre outros, tiveram um papel ainda mais dantesco, não apenas comemorando a situação da Venezuela, mas reforçando a invasão americana como algo legal. Ações como reforçam só reafirmam o poder da manipulação e os interesses obscuros de alguns parlamentares. Pavanato e Ferreira chegaram ao ponto de produzirem montagens colocando a foto do presidente Lula (PT) da captura do Maduro e sua esposa. O que se contextualiza numa delinquência, atacando e relativizando verdadeiros golpes contra a democracia, contra a própria constituição.

O PAPEL DA GRANDE IMPRENSA - Os telejornais maciçamente tentam construir uma narrativa de heroísmo para Donald Trump, como um pseudo salvador da democracia. A questão do Petróleo como nota de rodapé, sem holofotes. TV Globo e seus canais, Globonews colocaram em suas chamadas “Ditador preso pelo governo americano”, o que deflagra exatamente, como a opinião pública e o debate são manipulados, transformando tudo num circo. É desta forma como a indústria cultural fomenta um projeto da classe dominante: editando, manipulando, construindo novas narrativas.

REVOLUÇÃO, CHAVISMO E A VINGANÇA DOS ESTADOS UNIDOS - A Venezuela, após a chegada do presidente do Hugo Chavez em 1998 deu uma guinada em sua economia, especialmente no setor energético. Os Estados Unidos, como historicamente, usam da América Latina como colônia, para manter seu Status Quo de controle da riqueza do planeta, invadindo, conspirando, atacando, destruindo. O Chavismo, como termo utilizado para classificar a revolução venezuelana: a chegada de Chavez taxou as empresas petrolíferas estadunidenses, nacionalizou diversos setores e alcançou maior ascensão social e econômica de sua história, na erradicação da fome e do analfabetismo.

Chavez faleceu em 2013 e junto dele, a recessão da Venezuela, A grande Imprensa representada pelo projeto imperialista do tio Sam vendeu a ideia que o ex-presidente latino-americano era um ditador. A promoção do medo só potencializou a falácia. O que não se difundiu foi a quantidade de sanções que a União Europeia e os Estados Unidos usaram para controlar a revolução latina, culminando no empobrecimento estrutural, controlando o petróleo, na sua desvalorização. A sanção atingiu em cheio a expectativa de vida de cada venezuelano, sem acesso a medicamentos, a comida. Contra a revolução, a ditadura colonial, que manteve europeus e americanos num projeto de genocídio social numa clara intenção, que a América Latina tem dono. Quem reage, não aceita a subserviência, sofre as consequências. Esse é o cenário!

Trump abre um precedente perigoso com a invasão a Venezuela: invadir é negócio. É um paraíso, sem leis, sem resistência. Latinos com a sua diplomacia, tentam negociar com exércitos armados com tanques, usinas nucleares, aparato de guerra de altíssimo calibre. Estados Unidos fez o dever de casa: espalhou suas bases militares, impondo limites a todos países, financiando guerras e vendendo o discurso democrático pelo ocidente, a custo de muito sangue e milhares de mortes. A indústria cultural firmou um pacto, que o mais importante é o discurso, a propaganda, é Hollywood, a cultura do consumo, suas marcas, tudo a serviço da conspiração da perpetuação do poder...

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.