A inversão de valores e os vagabundos no país do golpe

Na esfera pública, está valendo comemorar ataque covarde de PM, chamar trabalhador de preguiçoso e celebrar retirada de colchão de morador de rua. Só não se pode criticar as reformas de Temer. Porque aí é coisa de vagabundo

Manifestantes com faixa contra o golpe durante Protesto Fora Temer realizado no Centro Cívico em Curitiba, PR.
Manifestantes com faixa contra o golpe durante Protesto Fora Temer realizado no Centro Cívico em Curitiba, PR. (Foto: Guilherme Coutinho)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Os tempos estão sombrios no país do golpe. Desde quando parte da população foi às ruas de forma misógina e colérica para exigir a deposição injusta de uma mulher honesta, as discussões políticas no país estão cada vez mais assustadoras. Na esfera pública, está valendo comemorar ataque covarde de PM, chamar trabalhador de preguiçoso e celebrar retirada de colchão de morador de rua. Só não se pode criticar as reformas de Temer. Porque aí é coisa de vagabundo.

A agressão, injustificável e criminosa, de um PM a um manifestante em Goiânia poderia ser a deixa para uma rica discussão sobre liberdades e repressão. Mas foi muito triste ver pessoas linchando virtualmente a vítima que, na UTI, nem ao menos estava apta a se defender. A “acusação” contra Mateus foi sintomática de um povo culturalmente subdesenvolvido: ele era estudante aos 33 anos. Na lógica invertida da mediocracia, ser estudante também é coisa de vagabundo.

Aliás, culpabilizar a vítima não tem sido novidade por aqui. Mulheres que sofreram violência sexual são frequentemente responsabilizadas, por estarem, supostamente, usando roupas ou cor de batom provocativos. Nada mais arcaico e primitivo. Mas este é o brasil de hoje. Aqui racismo virou opinião, homofobia questão de princípio e rebelião em presídio, show de TV. Não pode ser contra mortes no sistema prisional. Defender Direitos Humanos também é coisa de vagabundo.

O “país do futuro” está preso na pré-história do debate político e na evolução do sentimento de coletividade. Seja Esplanada, Avenida paulista ou internet a esfera pública virou um palco de linchamento coletivo e de um ódio estarrecedor. É por isso que a extrema-direita tem ganhado espaço por aqui. Está na moda ser conservador e preconceituoso. E se você se apresentar contra essa tendência, não tenha dúvidas: você também será um vagabundo.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como:

• Cartão de crédito na plataforma Vindi: acesse este link

• Boleto ou transferência bancária: enviar email para [email protected]

• Seja membro no Youtube: acesse este link

• Transferência pelo Paypal: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Vakinha: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Catarse: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo APOIA.se: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Patreon: acesse este link

Inscreva-se também na TV 247, siga-nos no Twitter, no Facebook e no Instagram. Conheça também nossa livraria, receba a nossa newsletter e ative o sininho vermelho para as notificações.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247