A juventude segue em luta

A educação pode até não ter partido, mas sempre terá estudantes e lutadores (as) dispostos a torná-la um espaço de trocas e questionamento do que acontece dentro e fora dos seus portões

Não é de hoje que ao falarmos de juventude, nos vem na memória características intrinsecamente ligadas à resistência, questionamento e rebeldia. Foi assim que gerações se eternizaram por suas lutas, conquistas e mobilizações que muito embora expressassem bandeiras, sonhos e sentimentos diversos, sempre confluíram num sentido: A esperança de viver em um mundo melhor.

Nos últimos anos um conjunto de políticas sociais provocaram o surgimento de um novo perfil de atores e atrizes sociais, que acessaram perspectivas que em grande parte representaram o acumulo de muitos anos de debate, formulação e militância. Encerra-se esta década com a criação de uma secretaria nacional de juventude cuja tarefa é fomentar e implementar Políticas Públicas para as Juventudes, um Conselho Nacional com a missão de propor ações e ampliar a participação social, o Estatuto da Juventude aprovado e com ele o reconhecimento de que somos sujeitos de direitos, além de um conjunto de programas no campo da educação, da cultura, do esporte etc. que tornaram visíveis os jovens que estavam invisíveis até então.

Esse conjunto foi capaz de abrir caminho para novas representações sociais, novas formas de organização e lutas. Tudo isso ficou mais latente com as manifestações da jornada de lutas e de junho de 2013, que traziam consigo algo que transbordava o abusivo reajuste nas tarifas de ônibus. Naquele momento, as percepções provocadas pelo novo ciclo inaugurado expunham as contradições dos grandes centros e apontavam para a necessidade de melhoria dos serviços públicos.

Uma série de ações chamaram atenção pela originalidade e o dialogo realizado com a sociedade a respeito da existência de profundas desigualdades mesmo diante de um período que talvez tenha sido o de maior prosperidade em toda a história do Brasil. Foram simples os rolezinhos que para alguns representaram espanto e para outros o quão excludente é a mercantilização do lazer, da cultura, do entretenimento e dos espaços públicos.

Dessa vez, mais uma vez a defesa da educação publica de qualidade aglutina utopias e ocupa escolas evidenciando que ao contrário do que muitos pensavam esta não é uma geração de alienados, cooptados pelo individualismo e pela crença de que o sucesso é resultado do esforço particular. As ocupações recentes nas escolas, nas universidades e nos espaços institucionais dos governos representam a defesa de conquistas hoje postas em cheque e o reforço de que a educação pública é um patrimônio que precisa ser preservado na sua relação com a comunidade escolar e compreendida como elemento central para o desenvolvimento social do Brasil.

Palavras de ordem como, Quem vai punir o ladrão da merenda? Não Vai Ter Golpe!, Mais Democracia!, Temer Não- Fora Cunha!, estão sendo ecoadas através das vozes de milhares de jovens de uma nova geração brasileira.

Um verdadeiro exemplo de que a juventude nunca deixará de ser o que sempre foi e que haverá resistência ao golpe contra democracia, ao sucateamento da educação, à terceirização e aos projetos descompromissados com as demandas do povo. A educação pode até não ter partido, mas sempre terá estudantes e lutadores (as) dispostos a torna-la um espaço de trocas e questionamento do que acontece dentro e fora dos seus portões.

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