A luta contra o obscurantismo

No meio da crise, a união entre os setores progressistas em defesa da democracia, contra o obscurantismo e seu projeto de morte, com pautas propositivas que visem o bem comum, passa a ser a tarefa de uma geração inteira

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A epidemia de peste bubônica, que arrasou a Europa no século XIV, teve consequências profundas para a economia, a sociedade e a cultura europeia do período. O número de mortos ultrapassou a quantidade de gente apta a enterrá-los, as pinturas do período retratavam comumente a morte em representações macabras e a superexploração do trabalho dos servos sobreviventes estimulou rebeliões camponesas que abalaram as estruturas do feudalismo.

O que isso pode nos dizer sobre a pandemia da COVID-19 em 2020 e, mais particularmente, sobre o Brasil? De cara, vale lembrar que os senhores feudais do período não se importavam com a saúde dos servos. Na lógica senhorial, o crucial era manter a atividade agrícola em pleno funcionamento. Se muitos servos morressem, que os sobreviventes se esforçassem o triplo, até morrerem também, contanto que a safra fosse salva.

Guardadas as proporções das conjunturas históricas, o governo brasileiro de Jair Bolsonaro parece estar mergulhado na Idade Média europeia. Não falo da arte, da literatura ou da arquitetura medievais. Falo de um antirracionalismo tacanho, negador dos estudos e conquistas da ciência, de uma visão de mundo inquisitorial (basta ver as declarações estapafúrdias de alguns membros do governo que atribuem a pandemia a uma conspiração comunista) e de uma mentalidade senhorial que pouco se importa com os destinos dos trabalhadores explorados de forma vil e perversa.

Estimulando uma falsa oposição entre saúde e economia, atrasando o pagamento do auxílio emergencial, apostando no confronto com governadores e prefeitos que, cumprindo determinações da OMS, determinaram o isolamento social, desidratando o setor de ciência e tecnologia, adotando discursos chantagistas, divulgando fake news, o governo parece apostar no caos e no conflito como método.

Precisamos, neste momento, priorizar a saúde, fortalecer o SUS, adotar medidas sociais que beneficiem urgentemente os mais vulneráveis e pensar estrategicamente o papel do poder público em um processo de reconstrução que certamente virá após a tempestade. Se o governo federal parece não estar disposto a isso, o parlamento, os estados e municípios devem estar.

Saúde, economia, cultura, educação, ciência, tecnologia, esporte, não podem ser vistos como áreas estanques. No meio da crise, a união entre os setores progressistas em defesa da democracia, contra o obscurantismo e seu projeto de morte, com pautas propositivas que visem o bem comum, passa a ser a tarefa de uma geração inteira.

Aos mesquinhos obscurantistas, senhores feudais tardios e sem qualquer compaixão, incapazes de abrir mão de privilégios para a construção de soluções que priorizem a saúde como direito e a justiça social como fim, a História reservará o julgamento implacável do tempo e os colocará em seus devidos lugares.

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