A luta deve ser contra a Globo, não contra Caco Barcellos ou qualquer outro jornalista

Assim como a Constituição Federal garante ao cidadão o direito de se manifestar contra atos atentatórios aos seus direitos e interesses, ela também confere à imprensa a liberdade para se expressar, pensar, difundir informações e ideias, sendo inadmitida qualquer forma de censura

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A priori, você deve estar se perguntando: por que respeitar um homem que trabalha para a Rede Globo, uma emissora que diariamente estimula o ódio e a intolerância, uma emissora que apoiou o Golpe Militar de 1964 e o Golpe Parlamentar de 2016? Os manifestantes não estariam certos ao hostilizarem o repórter diante do desserviço prestado e da manipulação exacerbada exercida pela emissora da família Marinho?

De início, afirmo que o Brasil é um país democrático, isso significa que vivemos sob a égide de um Estado que nos garante o direito à liberdade de expressão e de pensamento. Nesse sentido, toda e qualquer pessoa possui esse direito constitucional, podendo livremente protestar, desde que seja realizado de forma pacífica e sem interferir no direito do próximo.

Assim como a Constituição Federal garante ao cidadão o direito de se manifestar contra atos atentatórios aos seus direitos e interesses, ela também confere à imprensa a liberdade para se expressar, pensar, difundir informações e ideias, sendo inadmitida qualquer forma de censura. Destarte, a meu entender, Caco Barcellos estava trabalhando no exercício de um direito mandamental e não poderia, de forma alguma, ser impedido de fazer uma cobertura jornalística. É imprescindível salientar que segurar cartazes ou gritar palavras de ordem é algo completamente legítimo, o que não é permissível é hostilizar um profissional da imprensa e utilizar a força bruta para impedi-lo de exercer suas funções.

Concordo completamente com o senador Linbergh Farias (PT-RJ), quando ele afirma que "denunciar a manipulação da "grande" imprensa não pode nunca se confundir com agredir os seus profissionais. Se a Globo tem a sua parcela de responsabilidade pela escalada da intolerância, é dever de quem defende a democracia rechaçar esta violência". Afinal, buscar soluções através da violência é extremamente arriscado e incoerente. Não se pode combater o ódio com mais ódio, pois isso se tornaria uma guerra sem fim. É preciso, antes de tudo, que saibamos lutar!

Eu, por ser de esquerda, poderia muito bem aproveitar a situação para inflamar a hostilização do repórter com o fim de atingir a Rede Globo, mas isso não faz parte de quem sou e não deveria fazer parte de nenhum ser humano.

Afirmei, em outros momentos, que o mundo seria melhor se nos colocássemos no lugar do próximo, pois através da empatia vários casos de desrespeito e agressões (sejam elas verbais ou físicas) seriam evitados. Como você (empregado) se sentiria se fosse rechaçado por manifestantes em decorrência das ações de seu empregador? Considera correto o justo pagar pelo pecador?

Para Altamiro Borges, da Carta Maior, "o editor e apresentador do programa "Profissão Repórter" é conhecido pelo seu profissionalismo e ética. Mesmo trabalhando na TV Globo, ele sempre procurou manter uma postura equilibrada e imparcial nas suas reportagens". Isso provoca maior reprovabilidade da hostilização realizada, pois não acertou no método e nem muito menos no alvo.

É inquestionável que a Rede Globo, com seu jornalismo indubitavelmente parcial, transmite forte conteúdo manipulativo e promove a imbecilidade globalizada. De fato, devemos nos organizar e lutar contra todo esse conteúdo irresponsável e medíocre transmitido em rede nacional, mas não podemos atingir diretamente o trabalho dos jornalistas. O trabalhador não deve ser agredido ou impedido de laborar.

Além das manifestações nas ruas, existem várias formas de protestar e lutar contra o desserviço da TV Globo. Uma delas seria desligar a televisão ou trocar de canal durante a transmissão de seus jornais. Com a diminuição drástica na audiência, vários anunciantes deixariam de investir na emissora. Ao perder receita, a Globo estaria forçada a rever sua forma de fazer jornalismo. Ademais, que tal reivindicarmos o democratização da mídia?

Por fim, reitero: não é agredindo jornalistas que derrubaremos ou reestruturaremos o império da família Marinho, mas sim através de protestos pacíficos, da conscientização dos cidadãos e de nosso imprescindível esforço.

O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!

Foto: Alex Ribeiro/Facebook

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