A luta política no Brasil não está dissociada dos graves problemas geopolíticos no mundo multipolar

A hora é propícia para os movimentos sociais brasileiros manifestarem solidariedade às iniciativas de paz de Lula e outros governantes do Sul Global

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da 78ª Assembleia Geral da ONU - 19.09.23
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da 78ª Assembleia Geral da ONU - 19.09.23 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)


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Por José Reinaldo Carvalho, 247 - As lutas no Brasil não estão dissociadas dos graves problemas geopolíticos. O imperialismo estadunidense, em franco declínio no mundo multipolar, o que o leva a maior agressividade, e seus aliados na Otan e União Europeia, ameaçam a segurança internacional, a paz mundial, os direitos e a soberania dos povos. O mais eloquente exemplo disto é sua maciça participação, com armas e assistência de todo tipo ao regime ucraniano, com o objetivo de impor uma derrota política e militar à Federação Russa. Faz parte dos planos estratégicos do imperialismo estadunidense fragilizar, fragmentar e destruir o país euro-asiático, como já foi anunciado em diferentes ocasiões pela Casa Branca, o Pentágono e o Departamento de Estado. A hora é propícia para os movimentos sociais no Brasil manifestarem solidariedade às iniciativas de paz do governo do presidente Lula e de outros governos de países emergentes que não caíram na trampa de mandar dinheiro e armas ao regime ucraniano nem se converteram em linhas auxiliares das potências agressivas da Otan.

De igual maneira, os Estados Unidos têm como objetivo central a contenção da República Popular da China, país contra o qual realiza uma tentativa de cerco econômico e militar. São exemplos disto a incitação ao separatismo em Taiwan, as incursões de navios de guerra no Estreito de Taiwan e no Mar Meridional da China, além da militarização da região da Ásia-Pacífico. A China é um país socialista, amigo do Brasil, com o qual mantém relações diplomáticas no mais alto nível, de cooperação estratégica permanente, o que torna o gigante asiático merecedor da solidariedade do povo brasileiro, via partidos progressistas e movimentos sociais. 

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O imperialismo estadunidense reage com retórica e ações belicistas à nova realidade do mundo multipolar, que se expressa no processo histórico de seu declínio, na emergência de novos atores relevantes no palco internacional, na ascensão da China, na revitalização da Rússia, no surgimento de novos mecanismos de ação multilateral com impacto econômico e político, destacadamente o Brics, e na ação em prol do desenvolvimento independente dos países emergentes. Igualmente, as lutas dos povos por democracia, direitos sociais, soberania nacional e paz, nas formas mais diversificadas na vastidão do planeta, fazem parte do novo cenário mundial. 

Na América Ltina são cada vez mais intensos os movimentos que envolvem governos progressistas, instituições parlamentares, organizações sociais e partidos políticos que se opõem ao hegemonismo do imperialismo estadunidense e seus intentos de manter laços de dominação sobre nossas nações. Esses movimentos reiteram com suas ações a luta pelos objetivos comuns de nossos povos – a defesa e fortalecimento da soberania e independência dos países da região, a integração regional soberana em prol do desenvolvimento econômico e social.

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Fazem parte deste processo as vitórias eleitorais em vários países da região, a permanência e o aperfeiçoamento de processos revolucionários em Cuba, onde prossegue com êxito o aperfeiçoamento e atualização do modelo econômico para fortalecer o socialismo, na Venezuela e na Nicarágua. Esses países também merecem a incondicional solidariedade do nossos povo e ajuda em suas lutas contra os bloqueios e sanções. Devemos dedicar atenção redobrada à campanha eleitoral na Argentina, onde há o risco de uma deriva à extrema-direita. 

O desenvolvimento da situação política no Brasil, com o resgate da democracia e da soberania nacional no terceiro mandato do presidente Lula também compõe o quadro mundial. A eleição de Lula abre um novo ciclo político em que o povo brasileiro se sente fortalecido, reúne melhores condições de se unir e mobilizar para abrir caminho à construção de um país democrático, soberano e socialmente justo. O Brasil está voltado agora para a obra da reconstrução nacional, a restauração da democracia e a realização das políticas públicas necessárias à promoção dos direitos sociais. O presidente Lula, em seu terceiro mandato, tem o desafio de forjar o apoio de uma expressiva maioria política e social no país, a fim de consolidar a democracia e avançar na implementação do projeto vitorioso nas urnas pela democracia, a soberania nacional e o progresso social. A construção de uma maioria política e social requer que o Partido e seus aliados desenvolvam ações nos movimentos populares, além das frentes governamental e parlamentar.

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Já são sensíveis os progressos alcançados no exercício de uma política externa altiva e soberana, que prioriza a autodeterminação, a inserção soberana do Brasil no mundo e nas instâncias multilaterais. O Brasil volta a dar contribuição de peso à construção da multipolaridade, rechaçando as políticas hegemonistas. Isto tem ficado evidente com a atuação no âmbito do Brics, no G20, no G77+China, no enfrentamento do “neocolonialismo verde”, na luta por uma nova arquitetura financeira mundial, nas negociações entre o bloco imperialista europeu e o Mercosul, no âmbito dos mecanismos de integração da região latino-americana e caribenha, na solidariedade reafirmada aos povos irmãos. 

Também no que se refere ao conflito na Ucrânia, destaca-se a recusa do Brasil a se alinhar com a posição imperialista e belicista dos Estados Unidos e da Otan. É positiva a posição adotada por Lula de defesa da paz e de negociações que conduzam de imediato a um cessar-fogo e, em perspectiva, a um acordo de paz. 

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A conjuntura política na América Latina reflete o desenvolvimento da luta anti-imperialista nas novas circunstâncias. Por diferentes caminhos os nossos povos se empenham pelo resgate da soberania e independência na luta contra as políticas neoliberais e a desigualdade econômica. A luta anti-imperialista e a solidariedade entre os países da região desempenham um papel central neste contexto, enquanto se busca construir uma região da América Latina e Caribe mais justa e independente. 

Hoje é incontornável a busca pela autodeterminação, a concertação de alianças, a construção de mecanismos de integração, a busca por alternativas ao neoliberalismo, adotando políticas independentes e voltadas para a luta pelo bem-estar social.

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