A maquiavélica indulgência de Moro

Em novo artigo, a colunista Tereza Cruvinel argumenta que o juiz Sergio Moro soltou o casal João Santana e Mônica Moura, mirando no ex-presidente Lula e na presidente Dilma Rousseff; "A delação do casal agora será negociada, e como já virou praxe, antes de ser realizada, terá os termos preliminares vazados. E se contiverem revelações sobre a campanha de 2014 que complicam a situação de Dilma, estarão jogando a pá de cal no impeachment, ainda que ele tenha por objeto pedaladas e decretos orçamentários irregulares, mesmo que descaracterizados como crime por uma perícia técnica e um procurador federal", afirma

A maquiavélica indulgência de Moro
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De repente, o juiz Sergio Moro, que cozinhou e ainda cozinha vários presos em suas masmorras, para só os liberar da prisão temporária mediante delação premiada, mandou soltar nesta segunda feira o publicitário João Santana e sua mulher Monica Moura. Uma indulgência fora do comum na Lava Jato, ainda que ao custo de uma fiança de R$ 31 milhões.

Na "força tarefa", ninguém bate prego sem estopa, nada acontece por acaso. Um dos alvos da indulgência de Moro com o casal é Lula. O juiz tratou assim de desmentir assim a acusação do ex-presidente, em sua petição ao Comissariado de Direitos Humanos da ONU, de que submete seus presos a restrições prolongadas para forçá-los a delatar. Santana e Mônica saíram sem firmar o acordo de delação, depois de confessarem ter recebido pagamentos por caixa 2 na campanha de Dilma de 2010. Agora, vão negociar os termos de revelações que farão sobre 2014.

O outro alvo é Dilma e o golpe marcado para o final de agosto. A delação do casal agora será negociada, e como já virou praxe, antes de ser realizada, terá os termos preliminares vazados. E se contiverem revelações sobre a campanha de 2014 que complicam a situação de Dilma, estarão jogando a pá de cal no impeachment, ainda que ele tenha por objeto pedaladas e decretos orçamentários irregulares, mesmo que descaracterizados como crime por uma perícia técnica e um procurador federal. Os senadores que hoje se dispõem a somar-se aos 22 que defendem Dilma para derrotar o golpe serão constrangidos a seguir com a manada golpista.

Moro explicou-se: eles não são nem agentes públicos nem donos de empreiteiras. Nem corruptos nem corruptores. Mas há empregados de construtoras que cumpriram ordens, não são corruptores propriamente, e mofaram ou estão mofando em Curitiba.

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E assim segue o baile de máscaras, em que todos representam um papel a cada momento, desde que sirva ao enredo do golpe. E assim o duro Moro teve seu momento de bonzinho.

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