A marcha dos insensatos

Quem toma a iniciativa sempre tem vantagem. Ficamos nós com a obrigação moral e política de mobilizar os sindicatos, os movimentos sociais, os cidadãos e cidadãs para responder com a mesma magnitude ao protesto domingueiro. É difícil, mas é necessário. É urgente. Sob pena de se convencer a opinião pública de que a maioria é mesmo a favor do impeachment

Se os partidos da oosição, setores das classes médias urbanas, a plutocracia da Avenida Paulista queriam transformar o Brasil na Venezuela ou, quem sabe, no Egito, estão muito perto de conseguir. A radicalização do movimento contra Dilma, Lula e o PT está dividindo o País. É como se ressentimento de classe, guardado há tanto tempo, sobretudo depois da derrota de Aécio Neves (PSDB), voltasse com uma força inaudita nas ruas, nos meios de comunicação de massa, no Congresso.

Existe hoje no Brasil um ambiente envenenado pelo ódio social que impede qualquer processo racional de discussão. Não adianta contraprova, contra argumentação. As posições foram formadas a partir das informações disseminadas pelas redes de Tvs, essas abastecidas por grampos e vazamentos ilegais, que passam a ter foro de verdade, independentemente de provas, do contraditório, do direito da ampla defesa e do devido processo legal.

A recente nomeação de Lula para a Casa Civil da Presidência da República parece que pode ser vista por dois prismas: um, é a inegável capacidade de articulação do ex-presidente da República, virtude escassa num momento de crise aguda de governabilidade e de frágil comunicação política entre Dilma e o Congresso Nacional, de outro, a contaminação do núcleo duro do poder com a crise política. Ou seja a nomeação de Lula leva o centro da crise política para dentro do Palácio da Alvorada e faz de Dilma sócio de Lula na crise. Enquanto, a perseguição se dirigia a Lula, a presidente podia seguir tentando governar o País.

Agora, onde ela for, o que disser ou fizer se tornam alvo de protesto. A recente proposta do senador Renan Calheiros no sentido da adoção do semiparlamentarismo corresponde a uma situação de absoluta inviabilidade política da capacidade governativa da Presidente. Reina, mas não governa. Como a rainha da Inglaterra. E entrega de vez o destino do País ao arremedo de sistema partidário, formado por legendas de aluguel, da igreja, do agronegócio, da bala etc.

A marcha dos anti-dilmistas põe o desafio de se promover nos próximos dias uma manifestação multitudinária, pelo menos igual à do domingo passado. Não é fácil em se tratando de dia útil e de ser reativa. Quem toma a iniciativa sempre tem vantagem. Ficamos nós com a obrigação moral e política de mobilizar os sindicatos, os movimentos sociais, os cidadãos e cidadãs para responder com a mesma magnitude ao protesto domingueiro. É difícil, mas é necessário. É urgente. Sob pena de se convencer a opinião pública de que a maioria é mesmo a favor do impeachment.

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