A moeda do pagamento

Seria um desserviço civilizatório contrapor o ideário do respeito em favor dos interesses de um mandatário que (em plena efervescência de uma pandemia que não se manifesta com tamanha intensidade desde 1918) prima por desafiar orientações da OMS e de todo cientista e infectologista digno do juramento de Hipócrates...

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Quando o The Intercept desnudou os bastidores da operação midiático/judiciária/política mais famosa de nossa era, veio à tona o apreço do então juiz condutor deste aparato, por um ex presidente da república tucano...

O então juiz presidente do aparato de caça ao status político do Partido dos Trabalhadores e, em especial, ao Presidente Lula, manteve diálogo com o procurador neopentecostal (aquele, que o Caetano recebeu para um jantar no Rio de Janeiro) que lhe servia de menino de recados, advogando poupar do alcance/escândalo lavajatino o ex presidente tucano. 

Justificara o juiz/político, para tanto, o fato de que não seria prudente colidir com alguém que poderia ser importante ao desidério midiático/político da lavajato – que vergonha; aqui juiz não só tem lado, como atua em favor dos interesses de quem lhe ladeia... 

Infelizmente isso tudo já é história. Assim, efetivado o golpe (no lawfare que impediu Lula concorrer ao pleito eletivo presidencial último passado) que levou o messias dos neopentecostais à Presidência, este 247 noticia a posição (contrária) do tucano em face a deflagração de um processo de impedimento do atual presidente da república, em favor do respeito ao voto popular...  

Com essa posição, Fernando Henrique Cardoso paga sua dívida com Sérgio Moro. 

Deveras, o fato dele ser sociólogo e de ter apoiado o golpe inicial que roubou de Dilma o seu mandato popular (ocasião em que não se respeitou o voto popular) só faz verberar o seu lugar na história, bem abaixo da linha da crítica política, entre os assaltantes da democracia – ou, sem eufemismos: ladrões do voto popular...

É preciso respeitar a história; conhecê-la segue sendo a melhor maneira de respeitá-la. Neste contexto, quando a diligente defesa do Presidente Lula iniciou a esgrima ao lawfare, muito político sem energia moral suficiente para respeitar a história, apoderou-se da narrativa que as empresas familiares brasileiras (mesquita + frias + marinho + civita) desenhavam em favor dos interesses econômicos velhacos do patriciado quatrocentão brasileiro...

A narrativa criada pela mídia familiar em favor da satanização do Partido dos Trabalhadores, visando alcançar Lula para, através da atuação política do judiciário, afastá-lo da disputa nas urnas, demarca o peccato veniale que pariu o falso noticioso (fake news).

A água que navega neste corte histórico é tão cristalina que não se pode deixar de enxergar sua areia do tempo, ainda que esta já se decomponha na parede da memória, desaguando em argila de esquecimento...

Deslembrar segue sendo a arma mais poderosa dos políticos covardes que se apoderaram das narrativas de interesse...  

Nossa obrigação em favor da história segue sendo contá-la, como ela se desenvolveu, não como a narrou a mídia empresarial/familiar (mesquita + frias + marinho + civita) brasileira.

Assim é que nós outros indagamos: Qual motivo justifica, em tão pouco tempo (2016 a 2020), um ex presidente da república e maior líder dos tucanos mudar a própria opinião em relação ao respeito pelo voto popular? Mudou o seu conceito de voto popular ou o alcance de sua percepção sobre o significado do verbo respeitar?

O voto popular segue sendo o que sempre foi. Desde a redemocratização. Mudou então sua percepção acerca do significado de respeito?

Segundo a fonte informativa mais rasa, respeito é um verbo que alcança a condição de ato de respeitar, considerar, reverenciar, fazer deferência a... 

Será, então, que Fernando Henrique passou a considerar e reverenciar a vontade do povo de 2016 para cá? É essa a leitura? Em 2016 ele não respeitou e respeita agora?

Ou, contrario senso, político experiente que é, Fernando Henrique se apoderou da narrativa da imprensa familiar e passou a valorar o respeito ao voto popular de acordo com os seus interesses pessoais? 

É vergonhosa a constatação a que aportamos em face das duas variáveis propostas para justificar a mudança de paradigma de Fernando Henrique. 

Em respeito ao legado feminino da antropóloga de ilibada reputação que pariu valores e conceitos que desaguaram no bolsa família petista (que tem em Lula o seu único pai), é mais fácil para nós acreditar que Fernando Henrique pagou a sua conta com moro, sem mergulharmos no significado de seu ‘apoio’ ao mandato do messias, com justificativa no respeito à vontade do povo...

Além do que, seria um desserviço civilizatório contrapor o ideário do respeito em favor dos interesses de um mandatário que (em plena efervescência de uma pandemia que não se manifesta com tamanha intensidade desde 1918) prima por desafiar orientações da OMS e de todo cientista e infectologista digno do juramento de Hipócrates...

Essa miséria não compõe o ideário civilizatório digno da história de Fernando Henrique, ainda que este legado fique menor a cada dia. 

Tristes trópicos, ainda mais pós morte de Morais Moreira. 

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