A morte desnecessária do cantor Cristiano Araújo e da sua namorada

Se minhas suspeitas forem confirmadas, pela perícia e/ou pelo depoimento dos sobreviventes, espero que essas duas trágicas mortes sirvam, pelo menos, como um grande alerta para impedir que outras ocorram daqui pra frente

Se minhas suspeitas forem confirmadas, pela perícia e/ou pelo depoimento dos sobreviventes, espero que essas duas trágicas mortes sirvam, pelo menos, como um grande alerta para impedir que outras ocorram daqui pra frente
Se minhas suspeitas forem confirmadas, pela perícia e/ou pelo depoimento dos sobreviventes, espero que essas duas trágicas mortes sirvam, pelo menos, como um grande alerta para impedir que outras ocorram daqui pra frente (Foto: José Augusto Valente)

Em relação ao acidente que causou a morte do cantor Cristiano Araújo, e sua namorada, perguntas precisam ser respondidas:

1. O motorista e o empresário sofreram ferimentos leves, apesar da Range Rover ter sido destruída, porque usavam cinto de segurança?

2. O cantor e a namorada morreram, praticamente no momento do acidente, porque estavam sem cinto de segurança, motivo pelo qual eles teriam sido arremessados para fora do veículo, durante o capotamento?

3. Essa rodovia, onde ocorreu o acidente, é de pista dupla, com largo canteiro central. Uma das melhores do país. O que leva os motoristas a deslocamentos em alta velocidade, quando o limite é 110km/h. Pergunto: qual a velocidade do veículo antes da capotagem?

Eu imagino quais sejam as respostas para as três perguntas e alerto para o fato de que a grande maioria das pessoas não utiliza cinto de segurança quando viajam no banco traseiro. Essa é uma das principais causas de mortalidade ou severidade nos acidentes nas estradas e nas cidades.

A outra causa, especialmente em estradas muito boas, é a imprudência dos motoristas ao dirigirem em velocidades acima da permitida. Isso é agravado pela impressão que os atuais veículos são invulneráveis a acidentes. Na verdade, ocorre com muita frequência a travessia de animais nas estradas. Quando isso acontece, não há quem segure o veículo na pista.

Outro fato, causador de muitos acidentes, é a fadiga e sono do motorista. Quando isso ocorre, a velocidades superiores a 80km/h, a saída do veículo da pista com capotamento ou choque frontal é uma consequência quase natural. Aí, só "airbag" e cinto de segurança salvam.
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Se minhas suspeitas forem confirmadas, pela perícia e/ou pelo depoimento dos sobreviventes, espero que essas duas trágicas mortes sirvam, pelo menos, como um grande alerta para impedir que outras ocorram daqui pra frente.

Em 16 de dezembro de 2006, escrevi o seguinte artigo, publicado no Blog do Zé Dirceu, que complementa o texto acima. À ocasião, ainda estava no cargo de Secretário de Política Nacional de Transportes/MT.

Estradas boas, estradas perigosas!

Informações preliminares da pesquisa sobre custos de acidentes rodoviários, desenvolvida pelo Ipea e pelo Denatran, mostram que, quanto melhores as condições das rodovias, maior a quantidade e o custo dos acidentes rodoviários.

Isso é natural, pois, nas rodovias onde estão os grandes volumes de tráfego, maior é a probabilidade de ocorrência de acidentes.

As rodovias estaduais de São Paulo são, reconhecidamente, as melhores do país. Entretanto, lideram o ranking de custo anual de acidentes, com R$ 3,3 bilhões. Em segundo lugar, vem o conjunto de rodovias federais do Sudeste (SP, MG, RJ e ES), com R$ 2,4 bilhões. Em seguida, as rodovias estaduais de Minas Gerais, com R$ 1,9 bilhões; as federais do Sul (RS, SC, PR), com R$ 1,6 bilhões; e a malha estadual do Paraná, com R$ 1,2 bilhões. No total, o custo anual de acidentes em rodovias municipais, estaduais e federais atinge o valor de R$ 22,0 bilhões, sendo que as malhas municipais e estaduais custam R$ 15,5 bilhões, quase 70% do custo total.

Só na malha federal morrem, por ano, 10 mil pessoas – entre ocupantes de veículos e atropelados. As principais causas são excesso de velocidade; alcoolismo e drogas; excesso de peso nos caminhões; cansaço dos motoristas pelo excesso de tempo de direção; ultrapassagens em locais proibidos ou perigosos; precariedade dos veículos; rodovias insuficientemente sinalizadas e/ou conservadas; baixa proteção aos pedestres; condutores de veículos despreparados para dirigir em rodovias; entre outras.

Essa é uma tragédia cotidiana, silenciosa e invisível que mata cerca de 30 mil pessoas (rodovias e trânsito urbano) e deixa mais de 200 mil feridos a cada ano. Em dezembro de 2007, teremos a repetição desses números, se não começarmos a atuar, de maneira vigorosa, a partir de agora.

O Seminário de Segurança contra Acidentes, promovido pelos Ministérios dos Transportes e das Cidades, com o apoio da entidade NTC&Logística, é um marco da "guerra sem trégua", dos governos e da sociedade, pela drástica redução de acidentes, de feridos e de mortes no trânsito urbano e nas rodovias. Neste seminário foram delineadas as linhas mestras para a definição de uma Política Nacional de Segurança nas Rodovias, com ações nas três áreas básicas de atuação: educação; melhorias operacionais e controle.

Na área da educação, há ações para o ensino fundamental; maior qualidade nas autoescolas; propaganda de utilidade pública permanente; formação de caminhoneiros, com a inclusão de simuladores, nos moldes do que é feito com os pilotos de avião; jogos para crianças e utilização eficaz da Internet.

Na área de melhorias operacionais, estão previstas ações de manutenção rotineira das rodovias e da sinalização; eliminação de pontos críticos de acidentes; implantação de terceiras faixas em subidas; atendimento do Samu (Sistema de Atendimento Móvel de Urgência) nos corredores com maior fluxo de tráfego, como é feito na rodovia Régis Bittencourt; renovação da frota de caminhões, com a exclusão de veículos com mais de vinte e cinco anos de fabricação; e maior rigor nas inspeções veiculares.

Na área de controle e repressão, há ações que informem e punam o excesso de velocidade, o excesso de carga por eixo nos caminhões, o uso de drogas pelos condutores, o desrespeito à sinalização, entre outras.

Os recursos para obras e serviços, visando à redução acelerada dos acidentes e da gravidade deles, não devem ser contingenciados, nem sofrer solução de continuidade, em relação ao fluxo financeiro. A ação coordenada das três esferas de Poder, com a ativa participação dos Ministérios dos Transportes, das Cidades e da Justiça, bem como das entidades da sociedade, tem todas as condições de reduzir, até 2010, os atuais números para patamares mínimos aceitáveis.

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