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Pedro Del Castro

Assessor da Liderança do PT no Senado

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A necessidade da retomada da luta de massas contra o NeoLiberalismo

A questão de entregar de bandeja nosso petróleo, as sucessivas derrotas em votações importantes para a economia nacional e a vitória da agenda conservadora no ano passado só nos mostra que temos um congresso hegemonicamente alinhado com as necessidades neoliberais

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Após os últimos acontecimentos no Senado Federal, o que para uns foi uma surpresa, mas para outros, algo que já avizinhava-se. Militantes de esquerda de todas as vertentes e matrizes se depararam com uma realidade complexa e perigosa. Acontece que os 14 anos de experiências do Projeto Democrático e Popular não conseguiu eliminar de vez, através de força social e política, as tentativas de avanço da agenda NeoLiberal no Brasil.

Chegou o tempo, diferentemente do que aconteceu entre 2003 até 2014, quando a luta por um Brasil melhor se fazia de forma protagonista nas instâncias da política institucional.

O Partido dos Trabalhadores nasceu para colocar um ponto final no período chumbo, tortura, desemprego, submissão internacional e de restrições totais democráticas. Com isso, a sua primeira grande tarefa histórica foi a de iniciar um amplo processo de democratização em todas as áreas da vida de nosso país. Esse processo tão generoso e com o melhor do sentimento da classe trabalhadora foi tão grande e bem sucedido que logo no processo eleitoral de 1989, Lula e o PT se tornaram uma alternativa real e incontestável de poder.

Em seguida, por conta das derrotas eleitorais, trabalhadores e trabalhadoras começaram a ver e sentir as consequências e resultados do que foi a ascensão NeoLiberal no Brasil e no mundo. Desemprego, venda das riquezas nacionais, subserviência internacional, camadas médias quebrando financeiramente, despolitização e a volta do coronelismo na política, fome e etc...

Não houve alternativa para a classe trabalhadora, a não ser se jogar numa jornada de vida ou morte na luta por coerção de massas. As grandes marchas e manifestações contra o FMI, o governo FHC e o Neo Liberalismo pelos trabalhadores da cidade e as tão iguais em importância que são as manifestações e marchas pela Reforma Agraria dos trabalhadores do campo, incendiaram nosso país e, fizeram com que, mais uma vez, o PT virasse uma alternativa real de poder dos trabalhadores na busca por justiça social.

Com a eleição de Lula (o legitimo herdeiro e o melhor resultado dessas experiências de luta), a agenda social em nosso país decolou. Redução significativa da pobreza, geração de empregos, universalização da educação pública e com qualidade, combate sem trégua a fome, o direito a casa própria, políticas públicas eficazes na questão direitos humanos, saúde, agrária, habitacional, entre outras boas ações, viraram prioridade governamental. O mundo viu no projeto brasileiro de nação, não só a vitória de um país pobre ao se tornar uma das seis principais economias do mundo, mas também, a vitrine de resposta para sanar as dificuldades sociais que os outros países obtinham.

Hoje, após as experiências de 14 anos do Projeto Democrático e Popular, comandados por Lula e Dilma, experiências que tinham certa facilidade política para sua implementação, já que as forças conservadoras sucumbiram a magnitude do feito pelos trabalhadores na década de 90 e, que, deu condições objetivas não só de ganhar as eleições, mas acima de tudo, governar. Vemos assustados o crescimento conservador ganhando força social e política nos últimos tempos.

A questão de entregar de bandeja nosso petróleo, as sucessivas derrotas em votações importantes para a economia nacional e a vitória da agenda conservadora no ano passado só nos mostra que temos um congresso hegemonicamente alinhado com as necessidades NeoLiberais e, que, diferentemente dos anos anteriores, o governo dos trabalhadores precisa acumular força para fazer a disputa. Quem sabe se tão somente nos restou retomar as grandes jornadas, marchas, manifestações e todo o tipo de luta por coerção de massas, assim como os anos de 1990?

A verdade é que com a ascensão conservadora no Brasil, o que eles não tiveram tempo e força para concluir nos mandatos de FHC e posteriormente na vitória do Projeto Democrático e Popular, eles tentam no hoje, após 14 anos de auto-reorganização e acumulado força, fazer e terminar. Já para os trabalhadores, é ocupar as ruas, resistir e descobrir o caminho que tencione o legislativo parir um pacto de governabilidade sobre os anseios da classe trabalhadora. Isso só é capaz se, mais uma vez, os trabalhadores, trabalhadoras, estudantes e todo tipo de pessoa de bem se unirem para mais uma vez derrotar o NeoLiberalismo.

O que quero dizer, com essas palavras que aqui seguiram, é que, a agenda conservadora segue avançando de forma perigosa através do legislativo e que a questão da possibilidade da venda de nosso petróleo para as grandes corporações internacionais, não só fere nossa soberania nacional e fragiliza a nossa maior empresa nacional, mas também, terminar de lacrar uma virada estratégica no ciclo do projeto de um Brasil para todos, para inaugurar o ciclo do projeto de um Brasil para poucos. E que cabe a Classe Trabalhadora, legitima guardiã dos anseios da maioria de nossa população, tem que se rebelar contra os agentes dessa nova proposta no Congresso Nacional, fortalecer o governo e o projeto que eles elegeram, para mais uma vez, dar condições objetivas de governabilidade e seguir avançando nas experiências do Projeto Democrático e Popular e enterrar de vez as degeneradas consequências do Projeto NeoLiberal.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.