A nova divisão

A igreja evangélica que, até então, estava dividida entre históricos e pentecostais, e que assistiu um terceiro movimento, os neopentecostais, agora começa a conviver com um novo movimento, o bolsonarista

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Um pastor bolsonarista, auto-denominado de apóstolo, foi preso por exploração de trabalho infantil, e por manter uma criança de 13 anos em trabalho análogo à escravidão.

A Igreja cristã tem sofrido, ao longo dos séculos, muitas divisões, na maioria das vezes por uma busca por maior obediência ao Cristo, ou por maior rigor teológico.

Uma divisão na igreja, de modo geral, tem dois caminhos mais conhecidos: a ruptura institucional ou a ruptura teológica ou conceitual.

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A ruptura institucional é mais simples, resultado de um desentendimento entre líderes ou correntes de pensamento sobre como a instituição deve ser gerida.

A ruptura teológica ou conceitual é mais profunda e percorre um caminho mais longo, uma vez que o que está em disputa é uma forma de proclamar e vivenciar a fé, às vezes, como aconteceu com a reforma protestante, uma outra compreensão de Deus e de seu projeto redentor.

No Brasil estamos experimentando uma divisão entre os evangélicos inusitada, que começou ideológica, mas, caminha a passos largos para ser conceitual, podendo chegar a ser teológica.

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No golpe de 16 a igreja evangélica começou a demonstrar a sua divergência ideológica, uma divergência que já havia aparecido na ditadura, mas, foi abafada pelos grandes pregadores e movimentos de pregadores, que evitaram o que poderia ter caminhado para um cisma, por terem envolvido a Igreja num ambiente devocional.

Contudo, em 18, com as eleições, a divergência ideológica se plastificou na candidatura de extrema direita que foi eleita como ungida por Deus, trazendo uma conotação de confissão de fé que, rapidamente, começou a eleger os hereges, quais sejam, os de esquerda. E por esquerda passou-se a entender qualquer um que não apoiasse o candidato ungido.

Agora, esta divergência ganha contornos de divisão conceitual, ou seja, não é mais apenas uma divergência sobre política e fé, mas, cada vez mais, uma divisão sobre a concepção de Deus.

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O Deus, antes apresentado como amor, agora convive com armas, tirania, escravização moderna, narcotraficância, milícia, homofobia, violência misógina, e neonazismo. 

Assim, surge uma nova designação: um pastor bolsonarista, um evangélico bolsonarista.

A igreja evangélica que, até então, estava dividida entre históricos e pentecostais, e que assistiu um terceiro movimento, os neopentecostais, agora começa a conviver com um novo movimento, o bolsonarista.

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A agravante é que o movimento bolsonarista pode conter históricos, pentecostais e neopentecostais… o que os une é a insensibilidade diante do genocídio, da propalação da violência, a ausência de qualquer prurido ético, e a convivência tranquila com o crime e a corrupção.

Parece que se está consolidando a divisão bolsonaristas versus esquerdistas, onde esquerdista é quem não apoia o bolsonarismo, considerando que entre os que têm este novo conceito, há os que já romperam com o Bolsonaro sem romper com o conceito. Entre os tidos como esquerda surge, também, o embrião de outra divisão: os de esquerda e os progressistas que, por ora, andam juntos… ainda tem água para passar por debaixo da ponte!

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