A pergunta que não quer calar

Dar um golpe, em nome do quê e de quem? Bolsonaro? Em nome da política neoliberal ou ultraliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que pretende transferir o máximo de riqueza possível dos pobres para os ricos?

(Foto: Marcos Corrêa - PR)
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Texto publicado originalmente no Pensar Piauí

É pouco crível que tanques de guerra, do Exército, da Marinha ou Aeronáutica, com o apoio de paraquedistas, tropas de infantaria e coisas do tipo rumem em direção à Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), para apontar suas armas contra as sedes do Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF). À moda antiga, como nos velhos anos 1960, com um porta-aviões e destroyers dos EUA ancorados na costa brasileira, estaria dado o golpe – ou autogolpe – que tanto sonha o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores ensandecidos.

É para isso que está sendo convocado, de forma febril, por robôs, basicamente, nas redes sociais, o “grande” ato do “F***-se!”, para o próximo dia 15, com o objetivo de fechar o Congresso e Supremo. E assim permitir que Bolsonaro consolide seu governo pretensamente “imperial”, com poderes absolutos, sobre o orçamento, que precisa ser cortado às últimas consequências, para pagar os juros da dívida pública. Bolsonaro foi um dos primeiros a convocar o ato, nas redes sociais, em vídeo no qual aparecia sendo supostamente esfaqueado.

Mas, como sempre tem ocorrido no atual governo de balões de ensaio, mentidos e desmentidos, depois da gigantesca repercussão nacional em torno do absurdo relacionado a tal manifestação, o presidente recuou e negou ter compartilhado a postagem do ato do “F***-se!”. Porém, pego de calças curtas pela jornalista Vera Magalhães, do Estadão, que denunciou ter sido ele o compartilhador de dois vídeos convocando bolsonaristas para clamar pelo golpe – ou autogolpe – militar, pondo fim à democracia.

Golpe de quem?

Esse cenário, contudo, parece improvável, até porque a hipótese soaria como surrealista às cúpulas militares – a referência corresponde aos generais, brigadeiros e almirantes, da ativa, no comando das Forças Armadas ou ocupando ministérios importantes e cargos de segundo ou terceiro escalão no governo. Dar um golpe, em nome do quê e de quem? Bolsonaro? Em nome da política neoliberal ou ultraliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que pretende transferir o máximo de riqueza possível dos pobres para os ricos?

A tal quartelada então seria para afastar a ameaça do “comunismo” e proteger os valores nacionais, baseados num suposto cristianismo, que permite a organização de milícias nas polícias militares de todos os estados, onde se mata, trafica drogas e armas, garante privilégios, elege políticos, extorque a população, etc.? A quem serviria, de fato, o golpe – ou autogolpe – militar? Seriam a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ou o mercado os grandes beneficiados, já que iriam lucrar mais e gerar muito mais miséria e tragédia social?

É para isso o “F***-se!”, considerando que o Legislativo e Judiciário precisariam ser fechados, para não colocar obstáculos a esse nefasto projeto de poder, que inclui entregar todas as estatais, todos os aspectos estrategicamente essenciais à soberania e desenvolvimento do País, com a inclusão social de toda a população? Convém repetir: o ato do “F***-se!” é para isso? Será que os incautos do pato amarelo, com a camisa amarela da CBF, na Avenida Paulista, sabem exatamente o que estarão fazendo lá? Boa pergunta.

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