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Samuel Gomes

Advogado e professor, mestre em Filosofia do Direito, consultor em Poder Legislativo e Relações Governamentais

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A política da rosa

Artigo de Samuel Gomes associa a rosa empunhada por Requião Filho ao legado trabalhista, humanista e nacionalista da família Requião

A política da rosa (Foto: Divulgação )
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A rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa (Gertrude Stein, 1913, Sacred Emily).

Requião Filho surpreendeu a todos, inclusive o pai, ao empunhar uma rosa vermelha no ato de lançamento de sua pré-candidatura a governador.

Os símbolos têm força própria, condensam milhões de palavras, falam por si, evocam mistérios, movimentam arquétipos. Colocar a rosa no centro do debate político não é para ser coisa pequena, veleidade marqueteira, escolha superficial, oportunismo estético. Há de ser um guia, uma orientação, um norte. A rosa é a representação espiritual da Virgem Mãe, da união de forças opostas, da pureza do Céu e das agruras da Terra (os espinhos que temos que colher neste Vale de Lágrimas).

Seu botão fechado representa o potencial que todos possuímos para nos desenvolver em sociedade e o seu desabrochar é este desenvolvimento, para o qual é preciso um sistema político que não gere injustiças e pese sobre os pobres, o povo simples trabalhador, mas que tenha como centro e objetivo a vida plena, rica, material e espiritualmente farta para todos.

Mas – olho! –, um símbolo fala por si e quem o evoca há de ser coerente com a força que movimenta. Não se invoca um símbolo impunemente. Não se empunha uma rosa com palavras de ódio, mas de amor, esperança, união. Isso não significa palavras sem força, falsamente adocicadas, temerosas, covardes. Jesus não falava assim. Com os pecadores comuns, os marginalizados, acolhimento e misericórdia. Com os cobradores de impostos, poderosos fariseus e escribas, falsos moralistas de corações duros e corrompidos, palavras que queimavam como brasa. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.” (Mateus 23:14). E os novos fariseus estão aí, no poder estatal e no comando de instituições civis, políticas e religiosas.

Honra ao pai. No lançamento de sua pré-candidatura, perante milhares de apoiadores, o filho empunhou a rosa e prestou homenagem ao pai. De rosa em punho, honrou o legado do velho guerreiro, cujo nome, Requião, é em si um símbolo, uma marca, um programa completo do bem governar.

Brizola. Empunhando a rosa, símbolo da Internacional Socialista, Requião Filho prestou homenagem à bandeira do PDT – Partido Democrático Trabalhista. Ao fazê-lo realizou, finalmente, no tempo certo (Eclesiastes 3:1), um sonho há tanto tempo por tantos (eu, inclusive) sonhado: unir no Paraná a força de Brizola e de Requião.

O legado: retidão

Requião conta - e é justo que Requião filho conte e conte para que todos saibam de onde ele vem – que o seu avô, Wallace, então presidente da Câmara do Vereadores e, pela regra da época, prefeito de Curitiba, reuniu a família no quintal da casa e, como que num ritual em honra à virtude da retidão na política, ateou fogo num pacote de dinheiro que uma empresa francesa lhe havia enviado na ilusão de que seria beneficiada pela Prefeitura na instalação de infraestrutura de serviços de fornecimento de gás na cidade. Requião aprendeu a lição e fez coisa similar quando prefeito de Curitiba ao convocar a imprensa para expor imediatamente à execração pública um embasbacado sujeito que lhe havia terminado de fazer uma proposta não republicana no gabinete. Com isso deu um recado. E firmou a marca.

As raízes humanistas e sociais do candidato a governador do Paraná remontam ao Império, às lutas revolucionárias e abolicionistas em Pernambuco e na Bahia. Seu tataravô, político sergipano que migrou ao Paraná em 1875 para ser secretário da Presidência da Província, fundou o primeiro partido operário, em 1890, nascente ainda a República, e redigiu o seu manifesto.

O fio da história. Os antepassados de do pré-candidato a governador inscreveram sua história naquela que é parteira do Brasil moderno, a Revolução de 30, comandada por Getúlio Vargas. Um de seus tios-avôs, revolucionário varguista, participou da tomada do Espírito Santo e ajudou a civilizar e desenvolver os sertões daquele estado, fundando hospitais e exercendo cargos públicos.

Seu bisavô, chefe da estação ferroviária de Curitiba, fundou sindicatos e organizou greves operárias.

Seu avô, médico que trabalhava gratuitamente para os pobres e presidiários, foi prefeito de Curitiba e exerceu o mandato alinhado com o nacionalismo e a visão social de Getúlio.

Seu pai, Roberto Requião, o velho guerreiro, advogado de associações de moradores, deputado estadual (que combateu o esquema das empresas de transporte coletivo no célebre movimento “O Bruxo da Conta 100”), prefeito de Curitiba, senador por duas vezes, governador por três mandatos, presidente do Parlamento do Mercosul, co-presidente do Parlamento Euro-Latino-americano. Um ilustrado político popular respeitado pelo Brasil e no exterior.

Requião Filho houve por bem – e fez bem - materializar este longo caudal nacionalista de luta e dedicação ao Brasil dos seus antepassados na rosa, símbolo universal do acolhimento e do amor.

A política do amor

Entusiasmava-me a força poética do bordão do primeiro governo Requião – “Paraná, um estado de amor pelo Brasil!” Nem sonhava que anos depois caberia a mim como advogado o dever de resgatar para o estado a ferrovia (covardemente entregue a uma empresa privada num leilão mandrake) que fora construída sob a frase-força “Ferroeste e Exército, uma parceria de amor pelo Brasil!”. Resgatei-a como diretor jurídico e tive a honra de presidi-la e transformá-la no projeto Ferrosul – Ferrovia da Integração do Sul S/A, esquecido depois que saímos do governo e hoje, por que ainda mais necessário, novamente objeto de sonho e de luta (https://paraiso-brasil.org/2025/11/17/renasce-a-ferrosul-por-samuel-gomes/ ).

Caminho com Requião há mais de quarenta anos no Paraná, em Brasília e pelo mundo das relações internacionais. Sou aluno da sua escola. Sei que é amor, o amor pelo Brasil, o que lhe move. E é de amor – Deus - que é feita a política. Ou não é política – é Mamon. Hoje seu filho lança-se com coragem à batalha das ideias. Com coragem e com amor. De rosa em punho. Que honre o legado e o símbolo que escolheu para a caminhar.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.