A política dos pontinhos

Política no Brasil tornou-se algo similar àquelas atividades escolares do primário, de ligar os pontinhos: a cada ponto conectado ao outro, o objeto vai ficando nítido

Política no Brasil tornou-se algo similar àquelas atividades escolares do primário, de ligar os pontinhos: a cada ponto conectado ao outro, o objeto vai ficando nítido.

No caso em questão, a cada novo desmembramento, novo fato que surge, é possível encontrar uma ligação entre os vários escândalos de corrupção do país.

Por exemplo, há alguns meses, a revista "Veja" afirmou que o ex-jogador Romário Faria, atual senador do Rio de Janeiro pelo PSB e pré-candidato a prefeitura da capital fluminense, era detentor de uma quantia milionária, mantida ilegalmente em um paraíso fiscal na Suíça.

Na época, Romário provou por A mais B que a publicação do grupo Abril era falsa, fato que poderia condecorá-lo com uma medalha de honra ao mérito pela postura firme diante das graves denúncias. Mas o mais importante: o colocou na lista dos raros políticos com lisura a zelar.

Pois bem! Agora, pense: quem poderia imaginar que esse fato, mesmo que de longe (ou não), poderia estar conectado à operação Lava Jato, que investiga esquemas bilionários de corrupção na Petrobras?

Os pontinhos foram aos poucos se conectando depois da prisão do senador Delcídio do Amaral (PT–MS) e do banqueiro André Esteves na última semana.

Em áudio divulgado de uma conversa entre o petista e o advogado Edson Ribeiro, Romário e sua conta na Suíça são citados.

Delcídio classifica como "estranha" a participação do ex-jogador em uma reunião que ele teria com o prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB–RJ), Pedro Paulo Carvalho, pré-candidato à sucessão de Paes e o senador Ricardo Ferraço.

Segundo Delcídio, na ocasião, o peemedebista afirmou que Romário estaria abrindo mão de sua candidatura à prefeitura do Rio, e declararia apoio a Pedro Paulo. Em troca, Paes moveria seus pauzinhos para que a suposta conta no país europeu, negada veementemente por Romário, 'sumisse'. Tudo isso seria possível porque Guilherme da Costa, irmão de Eduardo Paes, é um dos diretores e sócios do BTG Pactual (banco de Andre Esteves), que comprou o banco BSI em 2014. Coincidentemente, é esse o banco citado na denúncia feita por "Veja".

Ao que tudo indica, embora nada esteja comprovado, mas quem sabe os pontinhos possam chegar a essa resposta, Romário foi 'vítima' de um engodo, com o propósito de fazê-lo desistir do pleito e declarasse apoio ao candidato do PMDB. É oportuno ressaltar que "o baixinho" aparecia como um dos favoritos na disputa.

Diante dos fatos, o senador foi obrigado a assumir que já possuiu sim uma conta na Suíça, segundo ele na época em que jogou na Europa, entre o fim de 1980 e meados de 1990. Contudo, ele contesta à autenticidade dos documentos apresentados por "Veja".

Fato é que, ao tentar se apresentar como um político diferenciado, o que é uma raridade na política brasileira, o senador endossa a vasta lista de políticos mentirosos. Resta, agora, saber até onde os pontinhos vão chegar...

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