A presença da polícia na escola é a própria violência
A bizarrice antecede palavras, posturas, citações a leis, conceitos, divergências, debates
Não interessa se o policial sabe ou não da lição ensinada na sala de aula.
Não interessa se o que argumentou tem validade, é estúpido (sim, é) ou se ancora em algum tipo de fantasia narrativa.
Não interessa.
Porque ele não tem qualquer autoridade legal ou profissional para invadir a unidade escolar.
Não desfruta de legitimidade ou autorização para violar a competência do professor.
Não tem direito de conspurcar o ambiente escolar com a farda, a arma, a truculência inerente à presença.
De nada importa se falou bem ou mal, se foi cordato ou rude (sim, foi), as palavras ou gestos utilizados.
Nada disso pertence ou deveria estar na área escolar, um espaço de aprendizado, de desenvolvimento humano, crítico e social, de construção da personalidade.
Debater modos, argumentos, conteúdo do que falou um policial invasor do universo escolar é, em si, um flerte com o absurdo.
É pressupor a possibilidade de coexistir a ostensividade policial com a liberdade de docência - um paradoxo da excrescência.
É essa concessão ao inaceitável a base para militarizar o ensino e trocar o senso crítico pela coleira da estupidez com disciplina.
Para submeter a criatividade e o livre pensar ao filtro de fanatismos e repressões com a ideia burra de associar educação à força.
Para dar respaldo a uma linguagem fascista de (falsa) ordem sob controle e castigo útil a um projeto de poder de sádicos e alienados.
A bizarrice antecede palavras, posturas, citações a leis, conceitos, divergências, debates.
A violência é a polícia na escola.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

