À procura da bravata perfeita

Os neandertais, alheios ao próximo, sorriem e continuam à procura da bravata perfeita. Ela não virá, mas eles não se importam: no fundo, o que lhes basta é apenas constatar e vibrar com a dor dos outros, em especial os mais sofridos

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)

Primeiro era a Dilma. Neandertais brasileiros brancos, NBBs, autoproclamados sujeitos de bem, vociferando ensandecidos contra a presidenta, à base de agressões verbais e covardias, até que uma versão mais primitiva deles sentenciou: "É só tirar a anta que melhora".

A parte relinchante dos bípedes brasileiros comemorou como se fosse um gol, mas era apenas uma bravata de péssimo gosto. 

Eduardo Cunha, o bandido predileto. Sergio Moro, o redentor da nação. Lava Jato, a Bauhaus da moralidade brasileira. O Pato Amarelo (fraudado) da FIESP era o símbolo de algo muito bizarro por vir. 

Veio o golpe, a gang de Temer e, entre homens da mala e apês com 50 milhões de reais na sala, os relinchantes se transformaram nas verdadeiras hienas, certeiras e confiantes com mais uma bravata patética: a reforma trabalhista vai gerar mais empregos. 

Pfffffffff...

De derrota em derrota, com desemprego acachapante e a grosseira prisão de Lula, estava aberto o caminho para a apoteose neandertal: mito, arminha, fake news, doutorados de Whatsapp e cientistas do terraplanismo, uma espécie de doppler da capacidade mental. Deu no que deu.

Se torcer pelo Brasil, melhora. 

Tem que respeitar o presidente (quando Dilma era o alvo, não precisava). 

Mais uma bravata: a reforma da Previdência vai estimular a geração de empregos.

Nunca as metrópoles brasileiras tiveram tanta gente morrendo a céu aberto nas calçadas. Em lugares como o Rio de Janeiro, viver em comunidades significa risco imenso de morte. 

Dezenas de milhões de desempregados, desalentados, precarizados. Quase um milhão de pessoas no cárcere, a maioria sem julgamento. Epidemias banidas estão de volta. O brasileiro sofre por toda parte, enquanto a televisão nos deixa burros demais. 

Os neandertais, alheios ao próximo, sorriem e continuam à procura da bravata perfeita. Ela não virá, mas eles não se importam: no fundo, o que lhes basta é apenas constatar e vibrar com a dor dos outros, em especial os mais sofridos. 

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