A reeleição permite que Bolsonaro coloque a mídia no bolso

Desde que assumiu, Bolsonaro está em campanha para a reeleição em 2022, com a mídia jogada de um lado para o outro pautada pelos ‘vazamentos’ de sua equipe

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)
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As crises políticas aceleram o retrocesso no país causando ojeriza e ódio, preconceito e violência. Mudamos, a sociedade não está no tempo da ‘liberdade é uma calça velha, azul e desbotada’, a juventude não coloca os pés na estrada, não canta She’s leaving home como antigamente.

Somos um país de meritocratas hipócritas vivendo ‘o avesso do avesso’ da modernidade. Saímos do radar da cultura, perdemos relevância como produtores de artes. Como Salvador Dali, “Tudo se afasta do corno do rinoceronte”. Isso é o que fizeram de nós: Rinocerontes isolados!

Hoje somos o epicentro da ignorância no mundo, governados por um ser sem adjetivação específica, de difícil definição em uma única palavra do vocabulário, penso até que não exista uma palavra que fundamente a extensão do que ele representa. 

Essa introdução pretensamente impressionista pincela minha opinião sobre o fim da reeleição, ventilada no Congresso Nacional.  

Si, no hay gobierno hasta nuevo elección! Desde que assumiu, Bolsonaro está em campanha para a reeleição em 2022, com a mídia jogada de um lado para o outro pautada pelos ‘vazamentos’ de sua equipe. A reeleição é a arte de protelar. 

Em uma live, o presidente mostrou cópias das manchetes dos jornalões sobre congelamento de aposentadorias e sobre seu veto ao Renda Brasil. Bolsonaro, irônico, disse que até 2022 só iria falar em Bolso Família.  

No dia seguinte mudou de roupa e de opinião. O relator do Orçamento da União para 2021 afirmou que Jair Bolsonaro autorizou a inclusão de despesas em um novo Programa Social. 

Não adianta agora a gente especular do que vai tirar, onde que vai cortar, mas estou autorizado pelo presidente, ele me deu sinal verde. E, a partir de agora, vou conversar com os líderes do governo no Senado e na Câmara, conversar com a equipe econômica. Mas, a semana que vem, a ideia é apresentar um relatório que tenha as PECs e a criação desse programa”, disse Márcio Bittar, relator do Orçamento.  

Os articulistas escreverão que Bolsonaro desistiu de desistir do Renda Brasil, até que ele faça uma nova aparição contradizendo tudo.  

E La nave va, com refugiados no convés e um funeral a bordo, como num filme de Federico Fellini. Nos bastidores desse enredo as personagens caminham pari passu com a reeleição, impressionando a mídia como um sonho causado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã um segundo antes de acordar. 

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