A roda do infortúnio

"Giramos numa Roda da Fortuna que, muitas vezes, não dá, de fato, a impressão de andar para a frente"

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(Foto: ABr | Reprodução | Jornalistas Livres)


No momento em que se comemoram os cem anos da instalação da Semana de Arte Moderna em São Paulo, seria conveniente a realização de um balanço que desse conta das promessas e das realizações entre as propostas daqueles jovens intelectuais brasileiros. A nação realmente necessitava, então, de uma sacudida de reacomodação. Hábitos arcaicos da colonização resistiam teimosamente, apesar dos clamores em sentido contrário, em nome de um povo independente e autônomo, capaz de ditar suas próprias normas. Registre-se que, em 1921, pela primeira vez, se levou à cena uma peça obedecendo a prosódia brasileira. De lá para cá, muitas águas rolaram. Mesmo assim, é como se estivéssemos diante da conveniência de uma nova sacudida de rearrumação, só que agora, o atraso, gritante, arma-se de violência e pretende dominar a política. Giramos numa Roda da Fortuna que, muitas vezes, não dá, de fato, a impressão de andar para a frente.

O atual governo do Estado do Rio de Janeiro, chegando ao cargo de repente e de improviso, no lugar do antigo governador, tirou do bolso do colete, como único projeto, a repressão às comunidades mais pobres e aos supostos bandidos que as cercam. Já havia tentado no Jacarezinho através de um massacre que eliminou trabalhadores e os tratou como marginais. Há muito não se ignora que a questão das favelas necessitaria de um plano de ação consistente, com inteligência e recursos materiais e humanos, em vez de somente brutalidade. O tipo de ação posto em prática, evidentemente, não dará conta do recado, além de espalhar sofrimento nos quatro cantos da geografia urbana. Não é a primeira vez que visões críticas se alinham a posturas de contestação, tendo em vista os resultados desastrosos em quantidade de vítimas e prejuízos sociais. Apenas juntando o total de mortos nas operações do Jacarezinho e da Vila Cruzeiro, soma-se um absurdo de 36 mortes! A que nome se pode dar a isso? Modernidade? 

Nada do que se disse destoa de uma tendência na qual a truculência predomina sobre a qualidade das discussões. Para o período eleitoral que se avizinha, reiniciam-se os rumores envolvendo as urnas eleitorais e a honestidade do sistema, sob o comando do TSE. Retorna-se ao modelo Trump e às suas acusações, depois mais do que infundadas de fraude. Os filhos 02, 03 e 04 se movimentam, prevendo atos de força e, se possível, atentados a faca. Uma vez que chegaram tão longe, não desejam retroceder, não obstante, segundo o conjunto das pesquisas, haja um claro ganhador do pleito, possivelmente ainda no primeiro turno. 

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As comemorações da Semana de 22 constituiriam, sem dúvida, uma oportunidade de refazer um balanço, quem sabe nos reafirmando e chamando a atenção para um tipo de produção cultural no qual nos notabilizamos. Não há, sabemos, apoio do governo. Estamos num regime em que a simples ideia de cultura já desperta animosidade. E não nos achamos num momento de efervescência em que todas as forças se conjugam para festejar a vida. Explica-se que, em vez dela, celebrem a morte, nos quatro cantos do cenário.

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