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André Barroso

Artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB. Trabalhou nos jornais O Fluminense, Diário da tarde (MG), Jornal do Sol (BA), O Dia, Jornal do Brasil, Extra e Diário Lance; além do semanário pasquim e colaboração com a Folha de São Paulo e Correio Braziliense. 18h50 pronto

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A semiótica da cortina de fumaça

A Copa, apesar de ser um evento que em tese é maravilhoso, se torna a melhor cortina de fumaça para a extrema direita

Vista geral de telão durante intervalo para hidratação no Estádio de Nova York/Nova Jersey, East Rutherford, Nova Jersey, EUA 13 de junho de 2026 (Foto: REUTERS/Jeenah Moon)
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A Copa do Mundo atual, com a última chance de ver atuando os grandes jogadores como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Modric, Ochoa, Manuel Neuer, Edin Dzeko, Lukaku e Kevin De Bruyne, traz o fenômeno onde lamentavelmente o futebol cruza com a literatura. A comparação do gol com um orgasmo. E nessa primeira fase, esses grandes nomes estão fazendo história e deixando todos os amantes do esporte Bretão em êxtase. Todos apostam em hat-tricks dessas lendas, tornando um jogo sem gols, uma relação sexual que não acontece após as preliminares. Apesar dessa explosão de prazer, que nos deixa extasiado sempre, o mundo está acontecendo. Estrategicamente, nesse estágio, um emissor gera um ruído polêmico para ocultar a mensagem original.

Factóides são lançados. Trump constantemente lança frases a seu bel prazer e sem consequências. O vai e volta falando que a situação está controlada no Irã, sem estar. Sempre dizer que uma civilização vai ser extinta e no dia seguinte dizer que tem acordo de paz. Dizer que a situação política do Brasil havia se tornado “perigosa”, sem ser específico e depois receber o presidente Lula com amor. O futebol ajuda de certa forma a anestesiar as tensões nesse momento. Se aliviar muitas vezes ajuda a se acalmar. É claro que não se pode pular para socar o ar depois de um orgasmo, ou muito menos correr para abraçar seus amigos.

Afinal, o signo distrativo é projetado para ser escandaloso, polarizador ou moralmente apelativo, possuindo alta carga semântica. Colocar o líder do governo Lula no Senado sendo alvo de mandados de busca e apreensão na 9ª fase da operação, mas não fazer nada com toda a história do caso do filme Dark Horse é um grande exemplo. A grande imprensa vai regozijar em cima dessa notícia e esquecer dos problemas graves envolvendo a família Bolsonaro. Mas os torcedores estão comemorando a repetição de goleadas desses mitos do futebol, numa alegria que parecia perdida. Exaltamos Lionel Messi  fazendo três gols contra a Argélia., se tornando o maior goleador de todas as Copas, mas esquecemos dos grandes escândalos do banco Master.

A ação original perde sempre o seu contexto na cadeia discursiva, quando existe a cortina de fumaça. A maior eficiência disso foi quando os casos Epstein chagaram no colo de Trump. Rapidamente, o governo conseguiu desviar o olhar com a abertura de casos de Ovnis, invasão na Venezuela e tarifaços. “É extremamente difícil falar do sentido e dizer a seu respeito algo sensato” diria Algirdas Julien Greimas. Enquanto isso, os placares ampliados estão crescendo e tomando espaço das reportagens, principalmente quando feitos por essas lendas. Tal qual orgasmos múltiplos. A expectativa de vários gols em uma partida do SIUU CR7 é muito grande no estádio e do outro lado da telinha.  

O que não é dito torna-se tão importante quanto o que é propagado. A cortina de fumaça serve para embaçar a percepção, onde um desvio de verba passa despercebido. A FIFA não explicou os problemas que o país anfitrião causou a vários países visitantes na Copa do Mundo. De maneira atrasada, tentou sem falar nada, passar panos quentes em cada problema. Nada podia fazer contra o grande capital. Podemos lembrar que o nazismo foi sustentado e financiado pelo capital privado, como Volkswagen e BMW na indústria automobilística, ou Basf, Bayer, Krupp e bancos privados alemãs. 

Mas o que explicar que sempre que o representante do grande capital é encurralado, surge vários outros acontecimentos para nos esquecermos do mais importante? Nesse momento, a Copa, apesar de ser um evento que em tese é maravilhoso, se torna a melhor cortina de fumaça para a extrema direita. Tudo embalado com uma safra de excepcionais jogadores, com habilidades, vontade, vigor e pontaria. Nada importa. Relaxa e goza.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.