A serviço do povo, não do mercado

Ao impedir a abertura do impeachment no Congresso Nacional, o presidente da Câmara dos Deputados age como líder de um governo ilegítimo. Ao atuar em favor da agenda do mercado, se confunde como despachante de empresários e coloca a Casa do povo contra o povo. Tudo isso, porém, não esconde o plano de tentar se colocar como a alternativa para presidir o país numa eventual eleição indireta

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Michel Temer .2
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Michel Temer .2 (Foto: Robinson Almeida)

O Poder Legislativo cumpre três funções primordiais para a consolidação da democracia: representar o povo brasileiro, legislar sobre os assuntos de interesse nacional e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos. Seguindo à risca essa missão, listada inclusive em sua página oficial na internet, a Câmara dos Deputados deveria representar o interesse dos brasileiros, povo que sustenta as instituições públicas com o pagamento dos seus impostos.

No entanto, estranha-se muito que o presidente da Casa, Rodrigo Maia, em evento público, declare que o foco da agenda da Câmara é o mercado. Ao dizer isso, Maia prioriza a sua vontade pessoal de atender aos grandes empresários, aqueles que financiam as campanhas, e deixa em segundo plano o interesse da população, que não está de acordo com a agenda de mercado, não quer as Reformas Trabalhista, da Previdência e a terceirização.

Além disso, Rodrigo Maia está atuando como o novo "engavetador mór" do Parlamento. Maia tem em mãos, trancado a sete chaves, os pedidos de impeachment contra o presidente ilegítimo Michel Temer, que se reuniu na calada da noite com o dono da JBS dando aval aos crimes relatados por ele. Inclusive o pedido de impeachment da OAB, que vê crime de responsabilidade nesse ato de Temer.

Ao impedir a abertura do impeachment no Congresso Nacional, o presidente da Câmara dos Deputados age como líder de um governo ilegítimo. Ao atuar em favor da agenda do mercado, se confunde como despachante de empresários e coloca a Casa do povo contra o povo.

Tudo isso, porém, não esconde o plano de tentar se colocar como a alternativa para presidir o país numa eventual eleição indireta. Com o governo Temer em estado terminal, Maia quer mostrar ao senhor mercado, controlador da maioria dos votos no Congresso, lealdade à sua agenda. Não acelera o impeachment para não parecer legislar em causa própria, mas conspira pra suceder Temer.

O deputado Maia foi, inclusive, coresponsável pelas ondas de repressão que aconteceram nos arredores do Congresso Nacional, nas últimas manifestações. Tem cerceado o acesso do população aos debates da Câmara. Foi ele o autor do absurdo pedido ao governo de convocação das Forças Armadas para "proteger" a Casa do Povo do próprio povo.

O interesse da população deve ser a pauta primordial e única dos representantes que ela elegeu. Caso o presidente da Câmara continue com essa postura, passando por cima do seu papel institucional e colocando os seus interesses acima do Brasil, certamente receberá, não só da sociedade, como também de seus próprios pares, forte oposição e restrição em relação a sua conduta e ao seu projeto de poder.

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