A sobrevivência do Brasil e seu povo é incompatível com Jair Bolsonaro

O Brasil está em agonia. O Brasil pede socorro. Hoje, o relógio corre contra nós. Tic-tac, mais vidas fora da vida, mais vidas ameaçadas

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Por Reimont Otoni

Mais de dois mil óbitos por dia. E dói saber que, a cada 36 segundos, morre uma pessoa vítima de Covid-19 no Brasil. São mulheres e homens de todas as idades, filhos, mães, avós, netos, vidas perdidas que enlutam milhares de famílias e amigos. 

Cem mil novos casos a cada 24 horas. E apavora saber que, a cada segundo de um único dia, mais de uma pessoa é infectada por um vírus que prolifera graças a uma gestão propositalmente negligente, de um desgoverno que, de caso pensado, adotou uma estratégia institucional de propagação do vírus. 

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A pesquisa coordenada pela professora Deisy Ventura, uma das juristas mais respeitadas do país e coordenadora do doutorado em saúde global e sustentabilidade da USP, precisa ser conhecida, divulgada, replicada. Feito a partir da análise de 3.049 normas do governo federal emitidas em 2020, o estudo mostra e comprova que o que está em curso é uma política de estado para disseminar o caos; não é incompetência, não é despreparo, não é descaso. Trata-se de projeto, e não vamos sobreviver enquanto este projeto governar o país. 

Nesse compasso, crescem a morte, assim como a pobreza e a fome, que já ameaça 63 milhões de brasileiros, segundo o IBGE.

Pressionado, o governo federal aprovou uma nova rodada de auxílio emergencial, cujo valor será de 150 reais, para quem vive sozinho, e de no máximo 375 reais para mulheres chefes de família com dois filhos ou mais. É aviltante.

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O valor médio do novo auxílio ficará em 250 reais, insuficiente para comprar uma única cesta básica em qualquer lugar do país, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Em Aracaju, onde o valor dos alimentos é o mais barato do país, o valor compra apenas 56% da cesta. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde a cesta básica custava mais de 600 reais, em fevereiro, o novo auxílio emergencial não compra nem um terço de uma cesta!

Mas o problema é ainda mais grave. O necrogoverno que ocupa o Planalto propaga que o auxílio irá atender 45 milhões de brasileiros. É pouco. Segundo o IBGE, 48 milhões dos 213 milhões de habitantes do nosso país estavam em situação de pobreza em janeiro de 2021; a eles se somam cerca de 15 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza. Isso significa dizer que a nova rodada do auxílio emergencial deixará de fora 18 milhões de brasileiros e brasileiras que se encontram em situação de vulnerabilidade. Isso, segundo dados de janeiro. Mas todos sabemos que o empobrecimento aumentou de lá pra cá, atingindo também camadas da classe média, especialmente trabalhadores e trabalhadoras de segmentos como arte, audiovisual, turismo e outras profissões, interrompidas no primeiro dia do primeiro ano da pandemia.

O Brasil está em agonia. Como disse o professor Miguel Nicolelis, “nenhum brasileiro deveria ser forçado a decidir entre morrer de fome ou morrer de coronavírus. Esta escolha é criminosa, desumana e, portanto, inaceitável sob qualquer prisma. Todo cidadão tem que ser amparado pelo estado, seja ele federal, estadual ou municipal, para sobreviver!”

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Na ausência do estado, diante da indiferença dos governantes, as redes de solidariedade vêm ocupando um espaço fundamental para dar um mínimo de assistência aos mais necessitados. Fundamentais. Mas é um ‘enxuga o gelo’ contra uma hecatombe planejada, construída milimetricamente.

O Brasil pede socorro. Com a nossa indústria demolida pela Farsa a Jato, que mirava a entrega no varejo da indústria, do patrimônio e da soberania nacionais, o golpe contra o nosso país abriu caminho para o empobrecimento e o esfacelamento social. A Covid-19 - talvez, um ponto fora da curva, um fator inesperado - veio a calhar. 

Hoje, o relógio corre contra nós. Tic-tac, mais vidas fora da vida, mais vidas ameaçadas.

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Precisamos urgentemente de fortalecimento do SUS, de medidas nacionais de restrição, de vacinação em massa, de um protocolo unificado de tratamento aos doentes, de auxílio emergencial digno, de cuidado, de oxigênio. Precisamos de um projeto de vida, o que, certamente, é incompatível com Jair Bolsonaro.

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