A suástica da vergonha

O antissemitismo já existia em maior, ou menor grau na Europa muito antes de Hitler. A única diferença é que ele teve a ideia de apresentar e executar uma solução final. Perdeu a guerra, mas ainda assim o antissemitismo continuou

Destas ironias da vida, foi um Poeta Alemão chamado Guido von List, quem em 1920, por ocasião da fundação do Partido Nacional-Socialista, mais conhecido como Partido Nazista, quem teve aceita a sugestão de utilizar a suástica solar como símbolo do partido.

Nazismo vem do termo National Sozialistische, que juntando eles chamavam de Partido Nazi, e daí deriva o termo nazista e seu símbolo como ficou conhecido, a Suástica Nazista.

Esta semana, um cemitério judaico na França foi profanado com a pichação de suásticas em cerca de 80 lápides. Uma ação vergonhosa e covarde.

Os judeus têm uma aversão óbvia por este símbolo nazista, afinal foram 6 milhões de vítimas na segunda guerra e se alguém quer provocar um judeu, é só colocar uma suástica na sua frente.

Esse ódio aos nazistas, no entanto, parece não ser compartilhado pelas populações dos muitos países que também sofreram nas mãos deles. Isto de uma certa forma, não deixa de ser surpreendente.

A França, por exemplo, teve cerca de meio milhão de vítimas entre civis e militares. No final da guerra viveu uma grava crise social, política e econômica iniciando um longo processo de reconstrução de toda infraestrutura destruída. 

Seria, portanto, esperado, que os franceses fossem mais sensíveis ao símbolo maior do nazismo que ocupou e arrasou seu país. As imagens das tropas nazistas desfilando no Champs Elysee sob o Arco do Triunfo em uma Paris enfeitada de suásticas é uma marca vergonhosa difícil de ser esquecida.    

Ao que parece a maioria dos franceses não se sente ofendida quando suásticas são colocadas diante de seus narizes como se o que aconteceu com a geração da guerra, não lhes diga respeito. 

O mesmo acontece em outros países europeus. Pior, em muitos deles, partidos com a mesma ideologia nazista prosperam e ganham mais cadeiras nos respectivos parlamentos a cada eleição. Assim como a suástica foi o símbolo nazista, eles também possuem um símbolo de maneira similar.

Em cada país ocupado pelos nazistas, existiram colaboracionistas. Locais que viram na ocupação uma maneira de se darem bem na vida. Eram eles que apontavam onde haviam judeus. Nem todos o faziam por alguma recompensa, grande parte era por prazer e afinidade ideológica.

O antissemitismo já existia em maior, ou menor grau na Europa muito antes de Hitler. A única diferença é que ele teve a ideia de apresentar e executar uma solução final. Perdeu a guerra, mas ainda assim o antissemitismo continuou.

Dizem que a extrema direita é antissemita e a extrema esquerda antissionista. Como os extremos se tocam, existe um campo cinza entre eles onde as coisas se confundem.

O antissemita não é necessariamente um extremista, muito pelo contrário. Em geral é uma pessoa comum com família, cachorro e temente a Deus. Ele trabalha, passeia com sua família e seu cachorro e vai a missa aos domingos. Ele acha que os judeus dominam o mundo. Todos os jornais e redes de televisão estão nas mãos dos judeus. Os bancos, então, nem se fala. Todo banqueiro é judeu. Um bom cristão não pode aceitar isso.

Na imaginação do antissemita, se Hitler matou tantos judeus, alguma coisa de mal eles fizeram para merecê-lo. Ele não sabe exatamente o que, mas deve ser algo muito grave.

É justamente este tipo de pessoa que serve de massa de manobra para os extremistas. Aqueles que espalham Fake News. Foram eles que disseminaram a história de que na Páscoa Judaica os judeus matavam crianças cristãs para utilizarem o sangue delas na receita do Matzá, o pão ázimo que é comido nesta festividade. Esta Fake News causou a morte de milhares de judeus. 

Este mesmo tipo de gente é quem cria e dissemina nos dias de hoje histórias de Kit Gay e Mamadeira de Piroca com o objetivo de causar ódio a uma parcela da população, no caso aqueles que são de esquerda. O método é o mesmo. A crença dos incautos também.

A história do meu povo está repleta de lições de como se comporta parte da população que é suscetível a este tipo de informação. Nunca acabou bem para nós, nem para nossos algozes. 

O Brasil está sendo liderado por este tipo de gente que soube muito bem dominar os meios de informação a seu favor. Eles têm um objetivo, sabem onde querem chegar e o custo disso. A conta, como sempre, não são eles que vão pagar. 

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