A tragédia e os mercadores de sonhos dos anjos do futebol

A comoção com a trágica morte dos anjos jogadores de futebol no Rio de Janeiro, vitimados por um incêndio que destruiu às "gaiolas de aço", "container habitacional" que os abrigavam, revelou como inocentes e sonhadores eram "alojados" e tratados pelos mercadores de sonhos sedentos por dinheiro

A tragédia e os mercadores de sonhos dos anjos do futebol
A tragédia e os mercadores de sonhos dos anjos do futebol

A comoção com a trágica morte dos anjos jogadores de futebol no Rio de Janeiro, vitimados por um incêndio que destruiu às "gaiolas de aço", "container habitacional" que os abrigavam, revelou como inocentes e sonhadores eram "alojados" e tratados pelos mercadores de sonhos sedentos por dinheiro. As cenas da tragédia, revelaram as condições do abrigo dos alojados. Os guardadores/exploradores minimizaram os riscos a que garotos inocentes eram submetidos e jogados a própria a sua sorte.

Os anjos, vítimas da "indústria" do lucrativo negócio da venda de passes de atletas de futebol", não tinham a mínima ideia de como suas vidas eram negligenciadas ao serem trancafiados e aprisionados em gaiolas pelos chamados olheiros e cartolas do futebol, responsáveis pela guarda e proteção daqueles garotos.

A cruel realidade e os desfechos do incêndio mostraram que os sonhadores foram vítimas de suas difíceis realidades sociais e as glamorosas e potencializadas crenças de que urgentemente iriam suprir suas carências e necessidades de mudanças de vida.

Por todo o Brasil, jovens são identificados por seus talentos na arte de jogar futebol, e logo se tornam presas fáceis das propostas de mudanças dos seus paupérrimos padrões econômicos por olheiros ávidos por explora-los. "Capturados" e engaiolados, no caso da tragédia do centro de treinamento do Flamengo, e são diariamente alimentados por sonhos de sucesso fácil de liberdade econômica e financeira de suas vidas e familiares.

Esse sucesso, que brotam das pobres "várzeas do futebol" no Brasil, vêm às custas da submissão contratual, da guarda e orientações "perversas" dos interesses que permeiam os bastidores do mercado de passes de jogadores de futebol no Brasil e no mundo.

A tragédia dos anjos no "ninho do urubu", se é que podemos chamar aquelas instalações, onde dormiam os garotos, de ninho, pois ninho é local de acolhimento e proteção. A "arapuca da morte", que queimou e carbonizou os sonhos dos anjos, fez relembrar às trágicas mortes na boate Kiss, no Rio Grande do Sul. Lá os "interesses" dos proprietários da casa de espetáculos fez com que centenas de vidas fossem negligenciadas e jovens vidas, também, não tivessem a mínima chance de se libertarem da "gaiola" que, também, só possuía somente uma oportunidade de sair com vida.

A irresponsabilidade criminosa praticada contra os anjos, a ganância e o desvalor para com a vida, mais uma vez se repetiu, e agora teve como desfecho e pano de fundo a exploração econômica, que não se comenta, do rentável comércio da exploração de passes de jogadores de futebol. A morte dos meninos, vítimas dos mercadores de sonhos, nasceu de uma sequência de imprudências, imperícias e crimes perpetrados pela inação e desorganização dos órgãos do Estado do Rio de Janeiro, por "empresários" e por cartolas ávidos pelas grandes fontes de recursos que circulam no promissor mercado de "venda" de jogadores de futebol.

Tais fatos, faz com que a luz vermelha acenda, pois, a investigação rigorosa, a identificação e a consequente punição dos responsáveis pela tragédia das gaiolas de aço (container), que "aprisionaram" e mataram os inocentes anjos do futebol, se tornou um imperativo de ação rápida e preventiva por parte de todas as autoridades do Estado brasileiro envolvidas com a punição dos culpados, socorro e proteção às famílias dos garotos anjos.

Os prováveis culpados pelas mortes precoces dos meninos anjo do futebol diante de fatos inegáveis de concorrem para a co-autoria do crime bárbaro, tergiversam, tentam escapar, se escondem ou até mesmo se eximem de responsabilidades pela sequência de crimes que cometeram ao exporem adolescentes a um risco potencial gerado por um ambiente fruto de um arranjo inseguro e que gerou a tragédia.

inação do Estado fiscalizador e a exploração econômica do potencial dos jovens sonhadores, pessimamente mal acondicionados na sua dignidade humana, é, também, parte do fio da meada desta tragédia sem paralelo e que pode se repetir, pois há indicativos de que tudo isso existe nos diversos "centros de treinamentos de futebol" em todo o país.

Os responsáveis pela aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, devem se debruçarem sobre estes acontecimentos trágicos que envolveram os jovens garotos de futebol no Rio de Janeiro. Pois situações idênticas como a dos anjos, onde crianças e familiares foram iludidas e colocaram seus filhos sob a guarda e proteção de irresponsáveis, podem está se repetindo em função de uma "indústria de sonhos" sem o mínimo controle do Estado e zelo pela vida.

Essa fabulosa indústria, submete adolescente em todo os pais a um "funil perverso" que poucos passam. Garotos são incentivados e iludidos diariamente em "escolinhas de futebol" em busca da "glória" com a promessa de se tornarem um jogador de futebol. Essa "máquina econômica", pelo que é conhecido, não tem controle e até tem sua própria "regulação", o que permitiu que joias em processo de lapidação tivessem suas brilhantes vidas interrompidas de forma cruel e criminosa.

Agora os anjos do futebol bateram asas e voaram para o jogo eterno. Só resta agora que suas inocências, talentos e sonhos iluminem e revelem as verdadeiras tramas do "jogo" e dos inconfessáveis interesses econômicos que rondavam suas vidas enquanto crianças exploradas que alimentam a produção do "espetáculo" esportivo. Infelizmente esse "teatro da ilusão" continuará acontecendo nas arenas do esporte no Brasil e mundo a fora, suprindo os interesses econômicos de mercadores de sonhos e alimentando a paixão dos amantes do futebol.

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