A transposição como fator de sobrevivência humana, econômica e quebra de paradigmas

A transposição, chega como elemento vitorioso à resistência secular dos Coronéis do Nordeste que sempre sobreviveram da miséria e da seca, bem como queriam o uso da água do Rio São Francisco para elas, a exemplo da resistência feroz dos proprietários rurais da Bahia, Sergipe e Alagoas

transposição rio são francisco
transposição rio são francisco (Foto: Walter Santos)

A Grande Mídia instalada entre Rio e São Paulo não soube ou, de propósito, não deu o devido tratamento ao fato mais importante do Nordeste brasileiro, que foi a concretização da obra de Transposição de águas do Rio São Francisco chegando em sua primeira fase para resolver a escassez para 12 milhões de brasileiros.

De fato, fez o registro, mas a dimensão e efeito exigem que houvesse uma abordagem muito mais extensa porque significa contribuir efetivamente para nova etapa socioeconômica no Nordeste com reais impactos para dentro e fora da região fazendo-se sentir em nível nacional porque consolida a auto sobrevivência fixando as pessoas no lugar estancando o êxodo para Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

PARADIGMAS E PERSONALIDADES EM TORNO DA OBRA

A efetivação real da Transposição merecia e merece uma abordagem mais ampla da Mídia porque a Obra tem significado político muito além do debate sobre sua propriedade.

Ela, a Transposição, chega como elemento vitorioso à resistência secular dos Coronéis do Nordeste que sempre sobreviveram da miséria e da seca, bem como queriam o uso da água do Rio São Francisco para elas, a exemplo da resistência feroz dos proprietários rurais da Bahia, Sergipe e Alagoas.

Neste particular de coragem para enfrentar tamanha resistência, não há como negar ou esconder a decisão do ex-presidente Lula porque, diferentemente dos outros ex-presidentes, só ele sabia na pele e na vida o significado da Seca e da urgência de construir a Obra do Século.

Registre-se que Dilma Rousseff soube e pôs em prática sua contribuição efetiva à Obra.

Mas, repito, foi preciso coragem para enfrentar e vencer a resistência, dos que agora tentam usurpar da obra antes negada.

CELSO FURTADO E O FUTURO

A Transposição muito além da água que irriga esperança humana é também elemento das teses famosas de Celso Furtado sobre desenvolvimento do Brasil porque nunca haverá prosperidade nacional efetiva sem que se inclua a redução das desigualdades, em especial com o Nordeste, Berço inicial do País.

É preciso encarar o Sub-desenvolvimento tão criticado por Celso Furtado e a Grande Obra dá Transposição serve exatamente de estímulo à expectativa de que com água o semiárido Nordestino volte a pensar em auto sustentação e desenvolvimento agrário como elemento de novo ciclo econômico, longe do atraso ou imposto pelos velhos e novos Coronéis do Nordeste, os mesmos que Lula enfrentou e venceu.

A IDEOLOGIA: RICARDO X CÁSSIO

A síntese da disputa teórica e política sobre a Transposição pode ser mensurada nas figuras do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, e o senador Cássio Cunha Lima, dois líderes inconteste.

Ricardo reproduz a sua coerência ideológica à Esquerda, n o campo progressista, com a essência do antigo autêntico PSB defendendo a Obra como legado de Lula rompendo barreiras para mudar o rumo de vida das pessoas, enquanto Cássio assume a postura de Centro à Direita reproduzindo as antigas e novas teses liberais buscando apropriar-se de um projeto ao qual não teve coragem de assumir quando superintendente da SUDENE em diante.

Tem mais: o êxito total da Obra só tem serventia real com a execução da parte do Governo da Paraíba fazendo as obras complementares para irrigar rios e açudes ao longo dos municípios.

E esta parte, o governador dez de forma exemplar.

No mais são discursos normais do debate político tupiniquim.

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