A tríade da retomada da ofensiva política: Fora Temer - Diretas Já - Lula lá

O que está em jogo na crise com potencial de ser terminal para o governo Temer é a disputa pelo Poder. Um novo arranjo político da burguesia está em curso, com a substituição dos partidos pelo consórcio ideológico forjado em torno da cruzada antipolítica da Operação Lava Jato

www.brasil247.com - Presidente Michel Temer 12/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente Michel Temer 12/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Igor Felippe Santos)


O que está em jogo na crise com potencial de ser terminal para o governo Temer é a disputa pelo Poder. Um novo arranjo político da burguesia está em curso, com a substituição dos partidos pelo consórcio ideológico forjado em torno da cruzada antipolítica da Operação Lava Jato.

O "Partido Lava Jato", que articula o estrato jurídico-repressivo do Estado, a Globo e interesses internacionais, resolveu limpar o terreno, derrotar o sistema político e amputar a frágil democracia brasileira.

Os desvios remanescentes do processo de democratização interrompido pelo Centrão na Constituinte de 1988 chegarão a seu termo pela intervenção dos setores mais antidemocráticos do país. A luta de classes vai se intensificar. As contradições no seio da burguesia parecem ter chegado ao limite, inviabilizando um acordo dos partidos que representam a classe com o Partido Lava Jato, que faz sua ofensiva mais ousada.

A centralidade no controle total do Poder faz o Partido Lava Jato colocar em perigo as reformas, ao criar uma crescente instabilidade com a iminente derrubada de Temer para tirar do horizonte a eleição de 2018 e a ameaça Lula. O determinante político sempre se impõe aos interesses econômicos nos momentos de crise. Com o poder, mais cedo ou mais tarde se faz as reformas. As reformas em si não garantem o controle total do Poder.

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A intervenção da Globo demonstra que, se a gravação do dono da JBS nasceu do imponderável, se transformou em uma oportunidade para aprofundar o processo de esvaziamento democrático. A ofensiva é para derrubar Temer, empossar algum nome com o perfil de Carmem Lúcia, com alinhamento à cruzada contra a corrupção, como presidente do Brasil (seja via renúncia, impeachment ou eleição indireta).

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Assim, limpar o terreno com a Lava Jato (com a destruição dos partidos) e fazer eleição sobre terra arrasada apenas em 2022. Nesse meio tempo, em um quadro de descrédito total da atividade política, impor uma reforma eleitoral-institucional que feche ainda mais as margens democráticas.

Paralelamente, a luta entre a burguesia e a classe trabalhadora, em um quadro de crise econômica, política e social, se dará em torno da defesa de eleições diretas.

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A resistência às reformas, que tem reforçado os laços das organizações com a classe trabalhadora, pode perder intensidade, o que nos colocará em uma nova situação. Diante disso, a luta pela eleição direta deve se colocar e, no processo de consolidação, apontar para a eleição de Lula para a Presidência. Apenas dessa forma conseguiremos colocar maiores faixas do povo em movimento em torno de uma saída política de massas.

Defender Diretas Já de forma genérica restringirá a mobilização à militância e aos setores médios progressistas, que se movem de forma abnegada por princípios. Essa opção será funcional para aqueles que querem aproveitar a crise para se projetar com grandes mobilizações nas capitais, mas não resolverá a crise.

Somente com a conversão processual da defesa da soberania popular na campanha pela eleição de Lula chegaremos a um novo patamar, colocando as massas no jogo, como na Greve Geral de 28 de abril. A tríade para a retomada da ofensiva política é Fora Temer - Diretas Já - Lula lá. Para isso, o petista precisa exercer o papel de liderança na luta pelas Diretas Já, como fez de forma exemplar em Curitiba, para:

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1-Fortalecer a única candidatura à esquerda com chance real de vencer a disputa nas urnas e mudar a correlação de forças a favor das forças populares. A vitória eleitoral não é um fim, mas um ponto de partida para a construção de governo popular que instale uma Constituinte exclusiva e soberana para reformar o Estado, mudar a política e resolver as contradições que sobreviveram à Constituição de 1988 e assombram na crise em curso.

2-Abrir uma porta para incidir na classe trabalhadora, vocalizando um programa de saída da crise econômica para enfrentar o desemprego. Acender a memória das massas dos tempos de pleno emprego, aumento do consumo e políticas sociais. Apenas com a classe trabalhadora em movimento teremos condições de vencer essa batalha.

3-Enfrentar a consolidação do Estado de Exceção que persegue de forma intransigente o ex-presidente e solapa a democracia. Fortalecer Lula é impor uma barreira maior aos delegados, procuradores, juízes e à mídia para legitimarem a eliminação da única candidatura fora do campo golpista com chances reais na disputa. É fundamental trabalhar desde já para que uma eventual eleição para presidente sem a participação do Lula aprofunde a crise do regime político, impedindo que seja uma forma de "lavar" o golpe.

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A evolução do cenário poderá se configurar na consolidação da hegemonia política de Globo-Judiciário, que em um quadro de crise nacional se apresentarão como portadores da saída política. Saída política apresentada, justamente, por esses dois setores, judiciário e mídia, que são os menos democráticos e sem porosidade à pressão popular.

Para conquistar Diretas Já e vencer a eleição, é necessário enfrentar e vencer o estrato jurídico e a Globo, articulados com o imperialismo. Não tem meio termo. Para isso, temos que ir além das nossas ações de sempre e avançar para a construção do ascenso do movimento de massas, com protagonismo das faixas populares, para evitar o fechamento ainda maior das janelas democráticas.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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