A Trump o que é de Trump
O que tira o sono do Trump é a queda do dólar e as negociações feitas em outras moedas, como a chinesa Yuan com a cara de Mao.
Na noite de 15 de agosto de 1971, o presidente Nixon interrompeu o programa Bonanza, falando em cadeia nacional de televisão e laçou o sistema monetário internacional, impondo o dólar. Se alguém viesse cobrar sua dívida em ouro, não receberia o metal e sim mais dólares, impressos pela Casa da moeda, com a frase “nós confiamos em Deus”. Outras nações poderiam ter escrito em moedas nacionais “seja lá o que Deus quiser”. Nem tudo se aceita, vejam o golpe urdido no banco Master, para valorizar artificialmente os próprios títulos, pagando altos juros sem ter “com o quê”. Será que virá um jeitinho aí, uma “prisão” itinerante pelas ilhas gregas?
Na idade média, grossas muralhas protegiam os castelos feudais, cidades e abadias, para manter estrangeiros e as vilas abaixo, longe dos nobres. Mesmo assim, as moedas passavam pelos vãos dos muros e dos dedos.
Com medo de ladrões, os donos do ouro entregavam-no a um guardião, mediante recibo do peso e valor. Quando o dono vendia o ouro, o novo dono não retirava do lugar seguro, lá deixava, mediante recibo. “Tinha” o metal na despensa, sob vigilância e valor. Então o guardador aventurou-se em dar recibos para várias pessoas, do mesmo ouro, ao qual sabia que ninguém ia retirar do lugar ou reclamar, somente repassaria recibos. No caso americano, os recibos tornaram-se mais valiosos que o próprio ouro! E únicos.
A poderosa máquina de guerra estadunidense se impõe, faz valer seus acordos e descumpre os quais assinou e não mais os interessa. Dominam nações “insubordinadas” com punições, embargos comerciais para sufocar os governos e leis desses países e, assim, subtrair suas riquezas naturais como o petróleo, ouro e terras raras. Esses embargos às nações perseguidas não permitem aos governos vender ou comprar, boicote. Esperam que os venezuelanos, cubanos, iranianos e até os brasileiros culpem seus presidentes e sistema de leis – ou mesmo suas tradições, para aceitarem puxa-sacos com seus bonés. Vergonha até no seu próprio campo político-eleitoral.
O que tira o sono do Trump é a queda do dólar e as negociações feitas em outras moedas, como a chinesa Yuan com a cara de Mao. Quase a metade dos negócios entre os países já é feita na moeda chinesa ou nas próprias. A guerra contra o Irã ou pelo Ártico é, na verdade, contra a rota de produtos, negócios e parcerias chinesas em construções logísticas daqueles estados.
Os chineses não vão abdicar do Irã ou de qualquer outro país em suas rotas, vão “comendo pelas beiradas”. Países vizinhos dos americanos como o Canadá ou parceiros de longa data como os da Europa entram para o BRICs, presidido por Dilma Roussef – aliás, presidência premiada e com louvor pelos chineses. As nações atacadas por taxas ou ofendidas por Trump entram para o BRICS sem trocar de Mao com os EUA, mas entram, inclusive a Argentina americanófila faz negócios com os chineses, sem cerimônia.
Quem derrubará o Império? A China, a Rússia, a Índia...o Brasil. Não. Cai sozinho.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
