A turma do contra

Os 51 milhões que rejeitaram o projeto petista têm o direito, e nós, parlamentares de oposição, temos o dever de defender um outro caminho para o nosso amado Brasil

Os 51 milhões que rejeitaram o projeto petista têm o direito, e nós, parlamentares de oposição, temos o dever de defender um outro caminho para o nosso amado Brasil
Os 51 milhões que rejeitaram o projeto petista têm o direito, e nós, parlamentares de oposição, temos o dever de defender um outro caminho para o nosso amado Brasil (Foto: Onyx Lorenzoni)

Ser oposição no Brasil não é uma tarefa simples. Na maioria das vezes, ser oposição significa também ser minoria. Diferente de outros países, no Brasil o governo normalmente detém também a maioria no Congresso. Isso é resultado do governismo desenfreado que faz parte da nossa cultura política.

Poucos partidos com maior convicção ideológica resistem ao poder de atração dos cargos do governo. O tal "presidencialismo de coalizão" é apenas o nome pomposo para a prática do adesismo, e dê-lhe mensalão, petrolão e outros que tais.

A oposição precisa enfrentar estigmas que nossa sociedade mantém sobre seu papel. De um modo geral, a oposição é entendida como um grupo de políticos que foi derrotado nas urnas e que faz tudo o que pode para atrapalhar o governo. Isso forma a imagem de que são amargos, ressentidos e que são, enfim, a "turma do contra".

Recebemos 51 milhões de votos. Quando um líder da oposição fala, fala em nome de 51 milhões de brasileiros. Ser de oposição não é ser do contra, é acreditar em um projeto diferente, é lutar por um novo caminho para o país.

Muitos projetos e decisões tomadas pelo governo petista são ruins e precisam ser combatidas. Veja um exemplo recente. Lula correu atrás e a Copa do Mundo veio para o Brasil. Ali nascia uma parceria singular: o lulopetismo aliado aos interesses da Fifa.

Naquela época, o TCU (Tribunal de Contas da União) já alertava para o superfaturamento das obras da Petrobras e tentava estancar a sangria. Qual foi a resposta da dupla Lula/Dilma, estimulada pelos e-mails de Paulo Roberto Costa? Apresentaram no Congresso Nacional o RDC (Regime Diferenciado de Contratações) sob o argumento de agilizar as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada no Rio, em 2016.

O RDC fragiliza a Lei de Licitações e afrouxou os controles e o combate à corrupção. Hoje, ele é usado para tudo: postos de saúde, escolas, presídios, nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) etc.

Da tribuna da Câmara dos Deputados, contraditei o governo. Eu alertava: "Estão propondo abrir a porteira da corrupção. O RDC é licença para roubar". Mas os alertas da oposição não foram ouvidos pela maioria da base aliada. O pretexto da "agilidade" com o dinheiro público venceu. O contribuinte perdeu e paga a conta da farra.

O "Clube do Bilhão da Petrobras", curiosamente, é o mesmo das obras da Copa, algumas até hoje não concluídas, e também do PAC 1, PAC 2 e PAC 3. Por isso é importante uma oposição atuante, vigilante e corajosa para, no mínimo, denunciar os desvios e a roubalheira passada e presente. É lícito supor que o esquema do "Clube do Petrolão" pode ter sido usado nas obras da Copa.

É uma grande fragilidade de nossa democracia que a importância de uma oposição forte ainda não tenha sido completamente compreendida, mas o cenário está mudando. As forças de oposição saíram fortalecidas das urnas, depois de sobreviver à campanha mais suja da história deste país.

Sou oposição a este governo por ver nele poucas ações com as quais eu concorde.

O governo petista tem grandes ambições autoritárias e muitas ações antidemocráticas. Combato com plena convicção seu ímpeto bolivariano e as orientações do Foro de São Paulo que ele tenta aplicar.

A "turma do contra", como a oposição é chamada, é fundamental para a democracia, para a proteção das pessoas e das nossas instituições. Os 51 milhões que rejeitaram o projeto petista têm o direito, e nós, parlamentares de oposição, temos o dever de defender um outro caminho para o nosso amado Brasil.

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