A Venezuela segue combatendo de forma exemplar a Covid-19

O tempo que a Venezuela ganhou nos dois meses em que o número de casos não crescia de forma expressiva foi importante para consolidar sua estrutura hospitalar. Desde o dia 13 de março os venezuelanos estão em isolamento e os habitantes das regiões mais atingidas conhecem o toque de recolher desde o dia 17 de março, apenas 4 dias após o registro do primeiro caso

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O primeiro caso positivo de Covid-19 na Venezuela foi registrado no dia 13 de março. Do início da pandemia até o dia 15 de maio, o país conseguiu conter de forma muito eficaz o avanço do coronavírus. Nesta data o país registrava apenas 504 casos positivos e 10 falecidos. Dois meses após, os números chegaram a 12.774 casos confirmados e 120 falecidos. A curva, que se mostrou controlada nos dois primeiros meses de pandemia, começa a se comportar de forma análoga a de outras localidades, embora sem a mesma intensidade dos países mais atingidos. 

O tempo que a Venezuela ganhou nos dois meses em que o número de casos não crescia de forma expressiva foi muito importante para consolidar sua estrutura hospitalar, os protocolos médicos, a testagem e as regras da quarentena. Desde o dia 13 de março os venezuelanos estão em isolamento social e os habitantes das regiões mais atingidas conhecem o toque de recolher desde o dia 17 de março, apenas 4 dias após o registro do primeiro caso. Os cordões sanitários, que consistem no isolamento das áreas consideradas focos, têm surtido efeito na Venezuela. O Estado de Nova Esparta, por exemplo, que foi o foco da pandemia no primeiro mês, conseguiu controlar a disseminação sem registrar nenhum óbito. Em seguida, no dia 27 de maio, o estado fronteiriço com a Colômbia, Apure, passou a ser o Estado mais atingido, em função do regresso de venezuelanos ao país. Mais de 70 mil venezuelanos já retornaram à república bolivariana desde o início da pandemia. No boletim do dia 21 de julho, Apure não registrou casos de Covid-19, indicando um relativo controle da doença. Atualmente o foco da pandemia na Venezuela está no Estado de Zulia, porém, o cordão sanitário parece igualmente fazer efeito. No boletim do dia 21 de julho, Zulia tampouco registrou casos de Covid-19, embora ainda seja o Estado que apresenta a maior quantidade de contaminados. 

Partes da capital, Caracas, estão contidas no Distrito Capital e outras no Estado de Miranda. Nos últimos dias, estas duas localidades apresentam o maior crescimento no número de contaminados. No boletim do dia 21 de julho, o Estado de Miranda registrou 106 casos e o Distrito Capital 78. É bastante provável que estes se tornem o novo foco de Covid-19 na Venezuela em breve. Do início da pandemia até o dia 21 de julho, Zulia registrou 1.311 contaminados, Apure 1.239, Tachira 754, Bolívar 750, Miranda 588 e o Distrito Capital 501. É interessante observar que os dois últimos Estados contêm aproximadamente 20% da população venezuelana, mas até o momento ocupam apenas a quinta e sexta posição no número de pessoas contaminadas. 

A eficácia dos cordões sanitários da Venezuela está em estreita relação com a capacidade de testagem deste país. Na Venezuela são realizados 27 mil testes rápidos diariamente. Dessa forma, os focos de Covid-19 na Venezuela são rapidamente identificados, o que permite um combate precoce e o controle da disseminação. Embora estes testes não sejam os mais confiáveis para o diagnóstico, são muito úteis para a identificação dos focos de Covid-19. As pessoas que testam positivo e aquelas que permanecem com sintomas têm as amostras recolhidas para realização do teste de PCR, considerado o mais confiável. A Venezuela aumentou em ao menos oito vezes o número de testes deste tipo realizados diariamente desde o início da pandemia. De acordo com o representante da Opas na Venezuela, o país realiza aproximadamente 650 testes de PCR por dia. No dia 21 de julho foi anunciada a ativação de mais um laboratório para o processamento de testes PCR, pertencente ao Instituto Venezuelano de Investigações Científicas (Ivic), o que irá ampliar ainda mais a capacidade de testagem da Venezuela. 

Inicialmente, 46 hospitais foram habilitados para atender pacientes com Covid-19 na Venezuela, no entanto, este número aumentou desde o início da pandemia, de forma notável nos Estados mais atingidos. O Estado de Zulia, por exemplo, iniciou o período da pandemia com apenas dois hospitais habilitados para atender pacientes com Covid-19, porém, neste momento são ao menos 6 e nenhum deles atingiu sua capacidade máxima. Além disso, hotéis, estádios de futebol, centros de convenções, escolas, dentre outros locais, foram igualmente habilitados para isolar pacientes assintomáticos. Apesar das críticas relativas à falta de água e energia nos hospitais, a maior parte destes centros de saúde contam com plantas elétricas para geração autônoma de energia, assim como poços, bombas d'água e disponibilidade de caminhões tanques para casos de possíveis falhas no fornecimento de energia ou de água potável. As plantas elétricas e bombas d'água estão presentes não apenas nos hospitais, mas igualmente em alguns postos de saúde menores. A Venezuela vem recebendo doações da Opas, China, Rússia, Irã desde o início da pandemia e, mais recentemente, da Turquia. Além disso, ONGs opositoras ao governo de Nicolás Maduro prestam auxílio ao país. É necessário, no entanto, que haja uma vacina ou um medicamento eficaz para combater a Covid-19, pois, sem estes, até mesmo os países que vêm realizado um bom trabalho de prevenção, como a Venezuela, podem ter os seus sistemas de saúde colapsados após vários meses de pandemia.

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