A vertigem que se sente
Donald Trump enfrentará eleições este ano, e sua imagem está se deteriorando rapidamente
O mundo multipolar que vivemos hoje vem sendo construído passo a passo, após 2a guerra (1939-45), mas que não serve (mais) aos interesses hegemônicos dos EUA, especialmente depois da derrocada da URSS. A multipolaridade não funciona tão bem como o mundo gostaria, mas é melhor que um mundo que não leve os interesses de todos em consideração. Está claro que os norte-americanos não pensam assim. Como já ensinava Caetano Veloso, em 1992, os americanos olham fundo, mas não para si mesmos.
Trump 2 deixou claro que um sistema alternativo ao dólar seria bombardeado com novas tarifas de importação. Essas tarifas hoje são a principal arma de Trump 2. Mas podem ser usadas contra os EUA, como ameaçou a OTAN,
Os BRICs estão construindo um novo sistema mundial de trocas monetárias, não dolarizado, mas que só deve estar totalmente operacional em 2030. Esta semana uma nova fase foi implementada a despeito das pressões dos EUA.
Mas há um ponto mais complexo: a nação que tem o maior poder militar do mundo não pode sofrer perdas expressivas de soldados, por conta da “sensibilidade às baixas”. Historicamente as baixas são parte da lógica das “guerras de atrito”, de enfrentamento de tropas. Por mais e melhores que sejam os equipamentos “made in américa”, a morte de soldados estadunidenses gera uma pressão enorme pelo fim dos combates e retorno dos soldados, como ocorreu no Afeganistão, onde a pressão da mídia fez Trump iniciar um abandono atabalhoado do País, às vésperas das eleições presidenciais.
Trump é um animador de plateia, caricato e jogador de poker, que usa de abusa do blefe. Provocador, sempre tem um novo alvo em mira. Nem bem derrotou Maduro, estava atacando a Groenlândia. Mas aqui trombou com a comunidade europeia, e teve de recuar, ao menos por enquanto.
O Trump 2 enfrentará eleições este ano, e sua imagem está se deteriorando rapidamente. Ele pode processar o NY Times, mas isso não altera a opinião dos eleitores que, em última instância, estão pagando a conta.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
