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Fernando Lavieri

Jornalista, com passagens pela IstoÉ e revista Caros Amigos

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A violência não é problema no capitalismo

Jeffrey Epstein cometeu crimes terríveis, absurdos. E a classe burguesa que tudo sabia foi, como sempre, partícipe e conivente

Epstein aparece com uma mulher, cuja identidade foi ocultada, nesta imagem do espólio do financista falecido, divulgada pelos democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA 18/12/2025 House Oversight Committee Democrats/Handout via REUTERS (Foto: House Oversight Committee Democrats/Handout via REUTERS)

Jeffrey Epstein cometeu abusos sexuais contra adultos e menores? Resposta: sim. Jeffrey Epstein cometeu agressões físicas e psicológicas? Resposta: sim. Jeffrey Epstein cometeu desaparecimentos e assassinatos? Resposta: sim. Jeffrey Epstein cometeu muitos outros absurdos que demonstram o quão torpe ele e sua turma foram. Jeffrey Epstein é o único membro da burguesia que cometeu tais violações e crimes? Resposta: não. E qual foi a classe social que o apoiou, participou e/ou foi conivente com suas ações escabrosas? Foi a alta burguesia, magnatas famosos e anônimos, poderosos da economia e da política e nobres que se despiram de seus trajes reais repletos de brilho e opulência para mostrar as suas verdadeiras faces, horrendas e sórdidas. Tal coisa é fundamentada na história. Sempre foi assim: a burguesia é, de fato, diferente da classe trabalhadora. Eles, celerados, se permitem todas as vontades, vaidades sem limites éticos ou morais, e seus devaneios sexuais maldosos se realizam sem freios.

A violência atroz está no contexto capitalista; ela integra os corredores de poder. Sempre esteve nos salões nobres da realeza britânica e de outras monarquias, ou no clero. O caso Jeffrey Epstein é como um polvo, repleto de tentáculos, com ramificações perigosas; move-se aparentemente devagar, mas é imenso e asqueroso. Desproporcional até para os Estados Unidos, nação que comete assassinatos diários em diversas regiões. Mas o caso Jeffrey Epstein apenas jogou luz sobre a lógica da violência que grassa pelo mundo pelas mãos do imperialismo capitalista, sem ter hora para acabar. É fundamental termos clareza sobre tudo que Jeffrey Epstein representa. Não se trata de algo fora do padrão, mas da norma. A violência da classe hegemônica sempre ocorreu. A malfadada escravidão foi impulsionada com as capitanias hereditárias. Pode-se misturar os acontecimentos do passado e do presente: pense na Faixa de Gaza, por exemplo; a matança indiscriminada de palestinos é diária. E, para solucionar a violência extrema, Donald Trump, completamente envolvido com Jeffrey Epstein, teve a ideia de transformar a região de Gaza em um resort; até vídeo futurista houve. Agora, um dos motivos para a ocorrência de violência atroz, terrível, contra o Irã, onde foram assassinadas mulheres e meninas que estavam em uma escola, estudando, é tirar o foco de Donald Trump como abusador. Não tem nada a ver com levar democracia ou liberdade ao povo iraniano, absolutamente. A violência é parte, não exceção.

O Brasil não está fora desse horizonte. No país há violência em todos os espaços diariamente contra negros, principalmente nas favelas e periferias das grandes cidades. Ano a ano, os números de feminicídio aumentam, assim como as agressões à comunidade LGBTQIAP+. Nesse viés, também ocorrem crimes de cunho sexual, como no caso Jeffrey Epstein, a exemplo dos episódios envolvendo Samuel Klein; ele apenas não teve os mesmos holofotes.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.