A violência não é problema no capitalismo
Jeffrey Epstein cometeu crimes terríveis, absurdos. E a classe burguesa que tudo sabia foi, como sempre, partícipe e conivente
Jeffrey Epstein cometeu abusos sexuais contra adultos e menores? Resposta: sim. Jeffrey Epstein cometeu agressões físicas e psicológicas? Resposta: sim. Jeffrey Epstein cometeu desaparecimentos e assassinatos? Resposta: sim. Jeffrey Epstein cometeu muitos outros absurdos que demonstram o quão torpe ele e sua turma foram. Jeffrey Epstein é o único membro da burguesia que cometeu tais violações e crimes? Resposta: não. E qual foi a classe social que o apoiou, participou e/ou foi conivente com suas ações escabrosas? Foi a alta burguesia, magnatas famosos e anônimos, poderosos da economia e da política e nobres que se despiram de seus trajes reais repletos de brilho e opulência para mostrar as suas verdadeiras faces, horrendas e sórdidas. Tal coisa é fundamentada na história. Sempre foi assim: a burguesia é, de fato, diferente da classe trabalhadora. Eles, celerados, se permitem todas as vontades, vaidades sem limites éticos ou morais, e seus devaneios sexuais maldosos se realizam sem freios.
A violência atroz está no contexto capitalista; ela integra os corredores de poder. Sempre esteve nos salões nobres da realeza britânica e de outras monarquias, ou no clero. O caso Jeffrey Epstein é como um polvo, repleto de tentáculos, com ramificações perigosas; move-se aparentemente devagar, mas é imenso e asqueroso. Desproporcional até para os Estados Unidos, nação que comete assassinatos diários em diversas regiões. Mas o caso Jeffrey Epstein apenas jogou luz sobre a lógica da violência que grassa pelo mundo pelas mãos do imperialismo capitalista, sem ter hora para acabar. É fundamental termos clareza sobre tudo que Jeffrey Epstein representa. Não se trata de algo fora do padrão, mas da norma. A violência da classe hegemônica sempre ocorreu. A malfadada escravidão foi impulsionada com as capitanias hereditárias. Pode-se misturar os acontecimentos do passado e do presente: pense na Faixa de Gaza, por exemplo; a matança indiscriminada de palestinos é diária. E, para solucionar a violência extrema, Donald Trump, completamente envolvido com Jeffrey Epstein, teve a ideia de transformar a região de Gaza em um resort; até vídeo futurista houve. Agora, um dos motivos para a ocorrência de violência atroz, terrível, contra o Irã, onde foram assassinadas mulheres e meninas que estavam em uma escola, estudando, é tirar o foco de Donald Trump como abusador. Não tem nada a ver com levar democracia ou liberdade ao povo iraniano, absolutamente. A violência é parte, não exceção.
O Brasil não está fora desse horizonte. No país há violência em todos os espaços diariamente contra negros, principalmente nas favelas e periferias das grandes cidades. Ano a ano, os números de feminicídio aumentam, assim como as agressões à comunidade LGBTQIAP+. Nesse viés, também ocorrem crimes de cunho sexual, como no caso Jeffrey Epstein, a exemplo dos episódios envolvendo Samuel Klein; ele apenas não teve os mesmos holofotes.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
