A vitória oficial de Biden
Trump agora diz acionar as forças armadas nos estados críticos em que ele perdeu para o presidente-eleito Joe Biden para “repetir” as eleições presidenciais. Derrubar um presidente democraticamente escolhido é ilegal
Ha 4 anos vimos Donald Trump tornar-se o 45º presidente dos Estados Unidos da América. Durante esse período, Trump corrompeu a América com observações, ideias e princípios nada democráticos. Mas nada do que ele fez nestes últimos anos se compara com o que ele vem fazendo atualmente aqui nos EUA. Após a vitória presidencial e eleitoral clara de Biden, Trump tem demandado e exercido seu direito de contabilizar e recontabilizar os votos em muitos dos estados. Mesmo tendo perdido essas contagens repetidamente, ele se recusa a admitir que foi finalmente derrotado. Esse e um pesadelo constitucional para os cidadãos e todos aqueles que chamam os Estados Unidos da América de lar. Trump age abertamente como se tivesse o direito a posição de presidente mesmo embora o povo tenha falado – e falado de forma bastante clara. Seu comportamento extremamente inadequado não é aceitável.
Não obstante, novas informações demonstram que Joe Biden foi declarado oficialmente vencedor das eleições na segunda-feira, dia 14 de dezembro de 2020, após os membros do Colégio Eleitoral em todos os 50 estados mais o Distrito de Columbia (o Distrito Federal) reunirem-se para darem seus votos. Esse procedimento eleitoral formal ocorreu, mesmo embora Donald Trump e seus correligionários do Partido Republicano tenham feitos esforços imensuráveis para intervir nos anseios do povo e reverter a vitória de Biden de novembro 2020.
Voltando um pouco, no início de novembro Joe Biden, o 46º presidente-eleito, recebeu mais de 51% dos votos populares e 306 votos eleitorais, contra 47,2% dos votos populares e apenas 232 votos eleitorais de Trump. O programa a ser seguido por Biden, quando tomar posse em 20 de janeiro de 2021, inclui unir a população, tomando cuidados extras por conta da pandemia do Covid-19, recuperação econômica, aumento de impostos para os bilionários, estabelecer etapas para reduzir e deter mudanças climáticas, criar empregos, atuar em cima da desigualdade racial, agir na melhoria da segurança física das mulheres, estabelecer um ambiente seguro para estudantes que são LGBTQ+ e proporcionar planos de saúde de custo acessível a todos.
Como se não bastasse Donald Trump ter negado o mundo cientifico e as mudanças climáticas, nunca ter cumprido suas promessas políticas, atacado o sistema judiciário e os serviços de inteligência e chamado os heróis mortos pelo seu país de “perdedores e otários”, ele também pôs a democracia em risco. Quando os votos ainda eram contados, Trump deu uma conferência a imprensa e demandou que parassem a contagem dos votos, ao mesmo tempo em que declarava que havia ganho o segundo mandato. Não cabe a ele declarar quem venceu a eleição, especialmente quando o povo votou de forma contraria. A eleição americana já é confusa o bastante, considerando o Colégio Eleitoral e o sistema de votação. Curiosamente, a Georgia contabilizou os milhões de votos três vezes.
Em notícias mais recentes, Trump agora diz acionar as forças armadas nos estados críticos em que ele perdeu para o presidente-eleito Joe Biden para “repetir” as eleições presidenciais. Derrubar um presidente democraticamente escolhido é ilegal. Uma autoridade federal disse que Trump “passa o tempo falando com lunáticos da conspiração que abertamente dizem que declarar lei marcial não é grande empecilho.” Lei Marcial e a imposição do controle militar direto das funções normalmente civis ou suspensão das leis civis por um governo. Esse procedimento e extremamente imaturo e embaraçoso para Donald Trump que simplesmente, e teimosamente, não pode admitir a sua derrota.
Não cabe ao povo julgar as acusações criminais e de evasão fiscal que sobressaem sobre Trump, ao contrário, vamos confiar no governo e no sistema de Justiça e esperar que eles solucionem esses crimes. O mais importante agora e proteger o direito do povo de votar e de escolher a pessoa que irá ocupar o prestigiado cargo da presidência do país. Esperamos que Trump facilite uma transição pacifica do poder, como os presidentes do passado, pare de exigir a recontagem de votos e pare de falar que o resultado dessa eleição deve ser decidida pela Corte Suprema, quando está claro que Trump perdeu, muitas vezes, essa eleição.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
