A volta por cima de Dilma Rousseff

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Dilma Rousseff e Lula (Foto: Ricardo Stuckert)


No ato inaugural da campanha de Lula, no vale do Anhangabaú, em 20/08/2022, a presença de Dilma Rousseff foi saudada e aplaudida com tanto carinho e tanta emoção que fica difícil entender como foi possível que, há pouco mais de cinco anos, ela tivesse sido cassada por um golpe de caráter jurídico-parlamentar-midiático, cuja principal bandeira girava em torno do combate à corrupção.

O fato é que, nos dias de hoje, até o traidor maior naquele evento, aquele que se aproveitou da confiança que ela lhe tinha depositado para cooperar ativamente na articulação e consecução do sorrateiro golpe que a removeria da presidência em 2016, acabou por reconhecer que ela é uma mulher honestíssima, impossível de ser envolvida pela sujeira que sempre caracterizou a maior parte de seus acusadores.

É certo que este reconhecimento generalizado da correção, honestidade e coerência moral de Dilma Rousseff chegou um pouco atrasado. A verdade acabou prevalecendo só depois da criminosa assunção do governo de Michel Temer (o traidor maior a quem nos referimos mais acima) e com a efetivação e difusão da miséria generalizada em todas nossas ruas e praças pelo ser mais repugnante que já ocupou o cargo de presidente em nosso país, o ex-capitão e sempre miliciano que foi eleito em consequência do plano urdido pelas forças macabras dos exploradores de sempre.

Toda a perversidade imperante entre as classes dominantes de nossa sociedade veio à tona recentemente erguendo como própria a bandeira da moralidade. No entanto, seu objetivo concreto era sedimentar e reforçar o famigerado regime de corrupção e exploração das massas trabalhadoras, ou seja, de dar seguimento ao projeto escravocrata que sempre nos subjugou desde a chegada dos europeus a nossas terras.

Dilma Rousseff se tornou um dos alvos prioritários de toda essa corja, talvez, por ela representar o exato oposto de toda a podridão que nossas classes dominantes simbolizam. Digo isto não por considerá-la perfeita e intocável. Eu mesmo tenho críticas a várias de suas decisões em sua gestão presidencial. Entendi como um desacerto sua tentativa de apaziguar os ânimos raivosos dos eternos inimigos de nosso povo, trazendo-os para dentro de seu governo e aninhando-os em cargos decisivos. Em outras palavras, Dilma era, sim, passível de sérias críticas por seus erros de avaliação política.

Porém, os donos do capital quiseram destruí-la através de calúnias de cunho moralista que a associavam à corrupção. Por incrível que possa parecer, os mais inescrupulosos ladrões do patrimônio público tiveram o caradurismo de tachar de corrupta uma governante cuja honestidade ninguém nunca conseguiu negar.

Além de sua irretocável competência moral, Dilma Rousseff demonstrou ter também uma grande capacidade de gestão. Seu desempenho como Ministra da Casa Civil foi de fato excelente.

Não vacilaria em dizer que boa parte do estrondoso êxito do segundo mandato presidencial de Lula pode ser creditado ao abnegado e precioso trabalho levado adiante por ela em suas funções de coordenadora das várias atividades dos diferentes ministérios. Com a tranquilidade de haver deixado em boas mãos o andamento e a efetivação das políticas de governo, Lula pôde se dedicar a fundo a desempenhar o inestimável papel de unir e liderar a nação em função de objetivos realmente grandiosos.

Se, durante os governos de Lula, o Brasil saiu do mapa da fome, alcançou a posição de 6ª maior potência econômica do planeta, elevou o nível da massa salarial como nunca antes, em boa medida, tudo isto teve a ver com o eficaz trabalho posto em prática por Dilma na atividade que lhe correspondia como gestora governamental.

Portanto, em vista de tudo o que procurei expor nas linhas precedentes, acredito que nosso país merece sonhar com a volta de Dilma Rousseff à função de Ministra da Casa Civil no gabinete de ministros do novo governo Lula que, a depender de nossos esforços e nossa luta, vai ser confirmado nas próximas eleições.

Seguramente, não conto com a sensibilidade política de Lula para ter plena certeza de que esta seja uma medida capaz de ser efetivada sem grandes dificuldades. No entanto, com os modestos entendimentos de que disponho, vejo na divulgação do nome de Dilma para ocupar esta função de tanta envergadura e responsabilidade uma garantia de que o novo governo vai estar determinado a avançar e passar por cima de todos os empecilhos e de todas as desgraças que os nefastos anos de neoliberalismo desenfreado e bolsonarismo atroz causaram à nação.

Além do mais, vejo como uma consagração da verdadeira justiça moral de nosso povo uma vitória eleitoral de Lula com uma declaração prévia de que Dilma Rousseff vai voltar a ser a gloriosa comandante executiva que sempre foi. Seria algo de efeito equivalente ao que um julgamento e condenação dos protagonistas da ditadura militar teria representado em seu momento. A redenção de Dilma e a condenação do golpe e de seus perpetradores estariam seladas com a vitória eleitoral de Lula nestas condições.

Se dependesse de mim, a frase “DILMA PARA MINISTRA DA CASA CIVIL” passaria a ser parte de todas as manifestações públicas da campanha de Lula. Mas, como não passo de um sonhador, deixo a decisão para quem realmente entende dessas coisas.

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