Abaixo a repressão!

Querem convencer à população que os movimentos sociais brasileiros em prol da reforma agrária pertencem ao crime organizado e desta forma justificar a barbárie de prisões e invasões ilegais

Querem convencer à população que os movimentos sociais brasileiros em prol da reforma agrária pertencem ao crime organizado e desta forma justificar a barbárie de prisões e invasões ilegais
Querem convencer à população que os movimentos sociais brasileiros em prol da reforma agrária pertencem ao crime organizado e desta forma justificar a barbárie de prisões e invasões ilegais (Foto: Chico Vigilante)

A era da repressão feroz voltou ao Brasil. É parte da estratégia do governo golpista Temer destruir todos os movimentos sociais organizados que repudiam o golpe.

A intenção de aterrorizar e desencorajar os que resistem está clara. A tática não é nova. A história da humanidade está cheia delas. O Brasil também.

Este tipo de ataque já estava previsto pela direita no roteiro que tirou Dilma Rousseff do poder.

Um dia após a aprovação do impeachment de Dilma na Câmara, um dos principais articulistas da Globo News, Merval Pereira, disse na CBN com todas as letras que se Temer quisesse se manter no poder teria que “reprimir com violência” os movimentos sociais.

Na ocasião me surpreendi com a audácia de seu comentário. No último dia 4, no entanto, percebi que a trama está sendo colocada em ação sem nenhum pudor e com um cinismo peculiar a este tipo de ação.

Foi estarrecedora a invasão simultânea durante o período de aulas, de três centros de formação e pós graduação de estudantes de ciências agrárias, em três estados, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Forças da Polícia Militar e da Polícia Civil, usando armas de grosso calibre e munições verdadeiras, invadiram atirando indiscriminadamente, ferindo e prendendo professores, alunos e funcionários, sem ter em mãos sequer um mandato judicial.

A professora Renata Nasser, foi ferida, algemada e presa. O professor Ronaldo, de 64 anos, que sofre de mal de Parkinson, foi algemado, jogado no chão e teve costelas quebradas. Relataram à imprensa que durante a invasão ouviram repetidamente dos policiais a frase : “alguém vai sair morto daqui “.

A quem os policiais se referiam? Obviamente aos estudantes e professores - filósofos, sociólogos, historiadores, geógrafos, economistas – e alunos, trabalhadores rurais sem terra que lutam por direitos e dignidade. Não estavam armados, portanto não poderiam matar ninguém.

Quando falo de cinismo, falo, por exemplo, dos policiais ao serem questionados sobre a legalidade da operação terem mostrado aos professores mandatos de busca no whats app em aparelho de telefone celular, sem a assinatura de um juiz.

Que tipo de recado pretendem transmitir à sociedade as autoridades deste país quando invadem escolas do porte da Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, São Paulo, construída com o trabalho braçal de mais de mil sem terras de centenas de assentamento de todo o Brasil?

Que mensagem mandam para as dezenas de professores universitários das principais universidades do mundo que lá ministram cursos gratuitos e regulares de formação para os trabalhadores da terra?

Que indicação estão dando para os apoiadores da criação da escola, homens com currículos do porte de Sebastião Salgado (fotógrafo brasileiro mundialmente reconhecido) o músico Chico Buarque, os consagrados escritores José Saramago, Antônio Cândido, entre outros?

Querem desencorajar estes cidadãos de ideias  reconhecidamente progressistas de lutar pelo futuro do Brasil ?

No caso do estado do Paraná a alegação dos policiais, segundo a imprensa, é de que buscavam prender 14 lideranças dos acampamentos Dom Tomas Balduino e Herdeiros da Luta pela Terra da região central do Paraná.

Esses acampamentos reúnem cerca de três mil famílias e a terra onde estão encontra-se em processo de destinação para a reforma agrária.

De que estão sendo acusados trabalhadores rurais sem terra em luta pela reforma agrária? roubo de gado, cárcere privado, e associação criminosa.

Por que supostos delinquentes estão sendo procurados em escolas de formação de graduação e pós graduação do porte das que foram invadidas pela polícia?

Na verdade, querem convencer à população que os movimentos sociais brasileiros em prol da reforma agrária pertencem ao crime organizado e desta forma justificar a barbárie de prisões e invasões ilegais.

Com esse discurso  pretendem propagar o ódio, a violência e a eliminação a qualquer custo daqueles que com a ajuda da mídia o governo “vende” como o mal do Brasil.

Que nome podemos dar a uma ação como essa num país até pouco tempo reconhecido como democrático?

Simplesmente um nome feio: o do Brasil Estado Policial de volta aos tempos da ditadura militar.

Não podemos aceitar calados e esta escalada da repressão policial contra escolas, universidades, instituições democráticas e representativas do povo brasileiro.

Me uno em intenções ao ato político em solidariedade às escolas invadidas e ao MST, ocorrido em Guararema, neste final de semana, com cerca de mil pessoas, a presença do ex-presidente Lula, vários deputados de partidos de esquerda, representantes de centrais sindicais e do movimento estudantil.

No sábado, 05/11, o Papa Francisco mandou um recado aos fieis do mundo todo, que resume exatamente o que está acontecendo no Brasil.

Ele disse que devemos nos atentar para um terrorismo de estado que quer governar com o chicote do medo. “Quem governa então? O dinheiro. Como governa? Com o “chicote do medo, da desigualdade, da violência econômica, social, cultural e militar que gera sempre mais violência em uma espiral descendente que parece não acabar nunca. Quanta dor, quanto medo! Existe um terrorismo de base que deriva do controle global do dinheiro sobre a terra e ameaça toda a humanidade”.

Portanto, é imprescindível que cada um de nós se posicione sobre isso, discuta  a questão com amigos, com a família,  que divulguemos o que, na realidade, está acontecendo no país.

A sociedade brasileira não pode assistir a tudo de braços cruzados, sob pena de sermos considerados mais tarde pela história cúmplices de mais uma tragédia.

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