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Anabela Pucynski

Blogueira e escreve sobre cultura, temas sociais e política brasileira e israelense

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Abnegação (dedicado ao reitor Cancellier, morto pelo estado de exceção)

Juntemo-nos todos num coro de coragem, metaforizando a luta diária do que e a miséria que se abate sobre os corpos. Negados o leite, subvertamos a consciência do oprimido

Juntemo-nos todos num coro de coragem, metaforizando a luta diária do que e a miséria que se abate sobre os corpos. Negados o leite, subvertamos a consciência do oprimido (Foto: Anabela Pucynski)

Sinais se aproximam da consolidação da ditadura. Estão nos ventres malditos dos que não expurgam o pus do ódio.

Pela lembrança de corpos que ardam em chamas, nosso grito e maior. Não sufocado nas entranhas de nosso espirito, galgando forte por entre a forca da impotência não contida.

Levantem-se homens, e saúdem o retrocesso ao poder, migalhas atiradas pela tirania dos fracos. Aqueles que se venderam a um passado de contas justas com os espíritos do mal.

Não calaremos nossa voz forte. Se a vida carece de um bêbado que se entorpeça num momento de desvario, nosso sangue se equilibrará as mazelas do que não foi dito.

Cantem, sempre e mais, para que não nos esqueçamos da vida que não passou, em seu desalinho com o presente.

Sentenciem-se mortes, e nossa forca sera maior. Em empunhar as armas que derrubem o poder, flagelo dos que sô sabem oprimir.

Juntemo-nos todos num coro de coragem, metaforizando a luta diária do que e a miséria que se abate sobre os corpos. Negados o leite, subvertamos a consciência do oprimido.

Um corpo jaz apos sua queda. Conta-nos a estoria de uma vida que se foi, velada. Um destino ceifado a foice por avaros. Pronto a abrir mão de seus momentos futuros, a existência não vale o sofrimento.

Mas, em não me morrendo, celebro meu hino. E é o show de todo artista que deve continuar. Pois se, tanto da morte em vida, a lição e a mesma. Justiça e dignidade, a todos, sem exceção.

Embora palavras e seu sentido utópico, a esperança e verdadeira. Vá-se o mundo dos homens, pelo qual tenho uma esperança minimizada pela forca do sabor de meus dias reais.

Apoiem-se em mim, crianças, e seguimos num mundo lúdico, cantigas e orações. Esqueçamo-nos do não vivido, num momento de deliciosa ternura. Valores e prepotências, juízos e escarnio, a nos não impostos.

Dias de alvorecer, sem pena. Relvas que frutifiquem. Distancias mais próximas a corações anuviados.

A você que dedicou a sua vida à sua própria estória, obrigada por sua abnegação. Que as sombras do futuro ardam em nossa memória.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.