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Urariano Mota

Autor de “Soledad no Recife”, recriação dos últimos dias de Soledad Barrett, mulher do Cabo Anselmo, entregue pelo traidor à ditadura. Escreveu ainda “O filho renegado de Deus”, Prêmio Guavira de Literatura 2014, e “A mais longa duração da juventude”, romance da geração rebelde do Brasil

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Abraços na memória do Brasil

Abraços que devolvem nomes e rostos aos mortos da ditadura reforçam a memória coletiva contra o silêncio e o esquecimento no Brasil de hoje vivo

Abraços na memória do Brasil (Foto: Divulgação)
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Nesta semana, vimos a notícia de um projeto de fotos que faz uruguaios abraçarem desaparecidos da ditadura. "A memória é importante em todo o mundo e a falta dela, sempre intencional, faz com que nós, humanos, cometamos os mesmos erros e horrores", dizia o artigo. Que ideia e projeto geniais!

No Instagram, o projeto se encontra aqui Imágenes del Silencio – Proyecto fotográfico que busca mantener viva la memoria sobre los desaparecidos en la última dictadura uruguaya.

Deveríamos repetir um projeto semelhante no Brasil. E que pessoas mortas pela ditadura mereceriam e merecem o nosso mais fraterno e justo abraço? São tantas, são muitas ternas e eternas, mas de um modo mais próximo do que tenho escrito sinto a falta de um abraço nas fotos e memória de Soledad Barrett Viedma e Jarbas Pereira Marques

Para Soledad Barrett aqui

soledad-barret


Para Jarbas Pereira Marques aqui

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Eles estão nos meus romances “Soledad no Recife” e “A mais longa duração da juventude”.

Mas nestes dias, um dos passos institucionais veio da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Ela deu continuidade às solenidades de entrega das certidões de óbito retificadas de pessoas mortas e desaparecidas políticas. As solenidades foram no dia 21 de maio de 2026, em Fortaleza, e no Recife, na OAB, neste 22 de maio. As certidões de óbito retificadas em Pernambuco são das pessoas:

1. Albertino José de Farias 2. Almir Custódio de Lima 3. Amaro Felix Pereira 4. Amaro Luiz de Carvalho 5. Antônio Ferreira Pinto 6. Antônio Henrique Pereira Neto 7. Dilermano Mello do Nascimento 8. Eduardo Collier Filho 9. Evaldo Luiz Ferreira de Souza 10. Ezequias Bezerra da Rocha 11. Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira 12. Francisco das Chagas Pereira 13. Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão 14. Ivan Rocha Aguiar 15. Jarbas Pereira Marques 16. João Alfredo Dias 17. João Lucas Alves 18. João Massena Melo 19. João Mendes Araújo 20. João Pedro Teixeira 21. João Roberto Borges de Souza 22. Jonas José de Albuquerque Barros 23. José Bartolomeu Rodrigues de Souza 24. José Dalmo Guimarães Lins 25. José Gomes Teixeira 26. José Inocêncio Barreto 27. José Manoel da Silva 28. José Milton Barbosa 29. José Raimundo da Costa 30. Juarez Rodrigues Coelho 31. Lourdes Maria Wanderley Pontes 32. Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides 33. Luiz Almeida Araújo 34. Luiz Gonzaga dos Santos 35. Luiz José da Cunha 36. Manoel Fiel Filho 37. Manoel Lisbôa de Moura 38. Marcos Antônio da Silva Lima 39. Margarida Maria Alves 40. Mariano Joaquim da Silva 41. Miriam Lopes Verbena 42. Newton Eduardo de Oliveira 43. Odijas Carvalho de Souza 44. Pedro Inácio de Araújo 45. Ramires Maranhão do Valle 46. Ranúsia Alves Rodrigues 47. Ruy Frasão Soares 48. Severino Elias de Mello 49. Severino Viana Colou 50. Soledad Barrett Viedma 51. Túlio Roberto Cardoso Quintiliano 52. Umberto de Albuquerque Câmara Neto

Entre estes, foram assassinados no Recife na primeira semana de janeiro de 1973: Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Soledad Barrett Viedma. Noto que não estão incluídos na relação acima Eudaldo Gomes da Silva e Pauline Reichstul, assassinados na mesma data no Recife.

Em resumo, amigos e leitores: os abraços na memória e imagens dessas magníficas pessoas devem ser um longo trabalho coletivo, que alcança jornalistas, professores, sindicatos, escolas, universidades e escritores. Do meu limitado lugar, tenho feito o que posso. Mas ninguém é uma ilha. Todos somos necessários para esse mais longo e fraterno abraço.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.