Acefalia da esquerda

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O Partido dos Trabalhadores publicou nesta semana decisão de apoiar o candidato do MDB/SP, Baleia Rossi, para ocupar a presidência da Câmara dos Deputados no próximo biênio, em sucessão a Rodrigo Maia (DEM-RJ), que ficou impedido de tentar a recondução para o mesmo cargo, por decisão do Supremo Tribunal Federal.

O nome de Baleia Rossi é resultado de um acordo que conjuga interesses de um bloco de partidos formado por PSL, MDB, PSDB, DEM, Cidadania, PV e Rede, a partir de articulação liderada pelo atual presidente da Câmara dos Deputados, preterido por Jair Bolsonaro.

A adesão do PT ao bloco de sustentação da candidatura de Rossi, segundo nota publicada pelo partido, decorre da necessidade de se derrotar Bolsonaro e frear avanços na agenda política e legislativa do atual Presidente da República.

O PT informa ainda que, dentre outros compromissos, conseguiu que o bloco de Rossi assumisse pautas de defesa da democracia e direitos dos trabalhadores, bem como interrupção das privatizações. O PT fecha a nota informando que sua decisão não significa nenhum pacto para a eleição a Presidência da República.

Oportuno lembrar que os partidos que compõem o bloco de Baleia Rossi, sem exceção, incluindo o articulador mor Rodrigo Maia, trabalharam com ardor na ilegal derrubada da presidenta Dilma e na construção de uma narrativa moral e ética cujo resultado mais visível foi o antipetismo. Ainda, laboraram pela implementação de uma agenda liberal denominada “ponte para o futuro”, da qual são originárias as reformas trabalhista e previdenciária, e outras tantas maldades de redução de direitos à população em geral. Além disso, compuseram a coalização que apoiou e criou as condições para que Bolsonaro e sua agenda fosse implementada. Por fim, Baleia Rossi foi favorável a 90% das pautas do presidente Jair Bolsonaro, não havendo porque acreditar que terá postura diferente caso seja vitorioso ao pleito de presidente da Câmara.

A decisão do PT de apoiar Baleia Rossi, revela pragmatismo, já que aproveita a cisão de candidaturas do “centrão”, escolhendo um deles a partir de costuras de acordos programáticos. A decisão não é absurda quando considerada no contexto, mas seria possível chegar ao mesmo resultado por melhores caminhos. Seria mais apropriado lançar candidatura própria ou apoiar alguém do campo progressista, pois possibilitaria durante a eleição ocupar os espaços e tempos destinados aos postulantes para a defesa dos valores e programas do campo progressista e, em caso de derrota, aí sim, escolher o menos pior no segundo turno. 

O pragmatismo, já na largada, passa uma mensagem de enfraquecimento da esquerda e a coloca como linha auxiliar das forças responsáveis pelos retrocessos que vivemos hoje. 

Decisão tomada, agora é esperar para ver se, pragmaticamente, se foi a decisão mais correta e se, em caso de vitória, os compromissos constantes da nota do PT como motivo de sua decisão, serão cumpridos por Baleia Rossi, caso sagre-se vencedor.

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