Acerto de contas com Dilma

Diante de tantas evidências materiais contra Michel Temer e de, até hoje, nenhuma prova concreta de desvio moral de Dilma Rousseff, será que um dia veremos alguém pedir desculpas? 

Brasília - DF, 13/04/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista à imprensa. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Brasília - DF, 13/04/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista à imprensa. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR (Foto: Rubens José da Silva)

“Vamos derrubar essa mulher”.

A frase de Joesley Batista dita ao marqueteiro de Temer em maio de 2016, mas só agora revelada, é uma pequena amostra do chumbo-grosso que os descontentes impuseram a uma presidente que não compactuava com o ilícito.

E assim, o desejo dos que detêm o poder econômico transformou a onda “Fora, Dilma” num tsunami.

Os casos de importantes caciques políticos e grandes empresários que foram contrariados em suas mamatas continuam aparecendo.

A insatisfação da base aliada com Dilma remonta ao início de seu primeiro mandato, em 2011, quando a presidente demite o Ministro da Agricultura Wagner Rossi, indicado por Temer ao cargo e acusado de uma série de irregularidades.

Os embates foram se acumulando até chegar ao último dia de seu mandato, 31 de dezembro de 2014, que, para muitos, foi o estopim para a crise: Dilma demite o então Ministro da Aviação Civil Moreira Franco, maior ícone da Irmandade Temer. 

O segundo mandato já começa em chamas e dali pra frente não há mais trégua. Dilma, em sérias dificuldades, resolve se render ao mercado. Adota, de uma forma mais branda, o modelo econômico que a banca impunha. Passa a costear o alambrado, mas o consenso pela sua derrubada já estava formado.

Curioso sabermos agora que João Roberto Marinho foi ao Instituto Lula convencê-lo para que ele fosse o candidato à presidência em 2014. Percebe-se daí que o desespero da Globo com a reeleição de Dilma era gigantesco. A consequência foi o calvário que assistimos.

Mas a conspiração começa bem antes, quando Dilma corta em 43% o contrato da Petrobras com a Odebrecht, que abastecia Temer e toda sua turma. A mexida nesse vespeiro custou-lhe caro.

E é justamente na Petrobras, ponto central da insatisfação com a corrupção no país, que a presidente, ao tentar fechar as torneiras que a Globo adora mostrar jorrando propina, terá seu destino selado.

Dilma e Graça Foster ao demitirem, em 2012, três diretores da estatal provocam uma descomunal irritação na base aliada. Era o início de uma tentativa para estancar uma sangria que existia há muito tempo.

E quem eram esses três diretores?

Esses mesmos que você tanto ouviu falar na Lava Jato: Roberto Costa, Renato Duque e José Zelada.

Outro detalhe: Dilma banca contra tudo e todos a permanência de sua indicada Graça Foster na presidência da Petrobras, pessoa de sua inteira confiança.

Foster, que por três anos esteve à frente da estatal, jamais teve seu nome sequer citado. E olha que todos que passaram ou ainda estão na masmorra de Curitiba sabem que atingindo o elo Foster-Dilma seriam recompensados.

Diante de tantas evidências materiais contra Michel Temer e de, até hoje, nenhuma prova concreta de desvio moral de Dilma Rousseff, será que um dia veremos alguém pedir desculpas? 

E pensar que foi em nome da moralidade pública que uma multidão saiu às ruas para defenestrar Dilma, sabendo que o comando do país ficaria para Temer e sua trupe.

Cadê essa multidão? 

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