Ações militares e políticas dos EUA em favor de Taiwan são provocações à China

A China reage afirmando que não há margem para concessões em questões relacionadas a sua soberania, aponta o editor internacional José Reinaldo

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(Foto: Reuters)


Por José Reinaldo Carvalho - O Departamento de Estado dos EUA aprovou uma nova venda de armas a Taiwan, a assistência para treinamento militar e outras medidas para fortalecer o sistema de defesa aérea da província rebelde da China, alegando que o território da ilha poderia sofrer ataques aéreos. É a terceira venda de armas anunciada desde que Joe Biden assumiu a chefia da Casa Branca em 20 de janeiro do ano passado, atitude que é sempre alvo da gratidão das autoridades da ilha, também conhecida como Formosa, e do repúdio da República Popular da China (RPC).

A venda de armas e outros tipos de ajuda militar a Taiwan são flagrantes violações do princípio, caro ao país socialista asiático, de que no mundo existe apenas uma China. Os Estados Unidos sabem disso e estão comprometidos oficialmente com o enunciado, porquanto assinaram documentos reconhecendo esta realidade política e jurídica. Se não fosse assim, os dois gigantes não teriam estabelecido relações diplomáticas, porque o reconhecimento do princípio "uma só China" é condição sine qua non estabelecida pela RPC para instaurar e manter relações bilaterais com qualquer país. 

Assim, os Estados Unidos violam conscientemente seus próprios compromissos, em função da estratégia desestabilizadora de sua política externa, cujo ponto central, agora um pouco obnubilado pela emergência do enfrentamento com a Rússia, consiste em impedir a ascensão da China. Para tal, os EUA carecem de usar exaustivamente as autoridades separatistas de Taiwan como peão antichinês nas bordas da China Continental. Taiwan é uma peça no posicionamento dos EUA na vasta região da Ásia-Pacífico com função anti-China. É para isto que criaram o Aukus (Austrália-Reino Unido-EUA) e o Quad (EUA-Japão-Austrália-Índia). Igualmente, é com vistas ao cerco da China que a Marinha de Guerra da superpotência do Norte singra as águas do Mar do Sul da China, o que é essencialmente uma provocação militar travestida de "proteção ao direito de navegação", como alegam. Têm o mesmo sentido as ações militares na Península Coreana e a hostilidade manifesta à República Popular Democrática da Coreia. 

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As movimentações estratégicas e militares da Casa Branca e do Pentágono são secundadas pela ala política do regime do Partido Democrata. A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, inicia no próximo domingo (10) uma visita política a Taiwan, o que também contraria o princípio "uma só China" e sem dúvidas provocará igualmente a reação de Pequim, porque se trata de mais uma demonstração ostensiva do apoio estadunidense aos separatistas de Taiwan, que além do apoio militar, querem exibir o trunfo diplomático. A visita de Pelosi será a mais importante de uma autoridade política sob a presidência de Joe Biden, na sequência de diversas viagens de altos funcionários estadunidenses à ilha nos últimos 15 meses. Tudo isso ganha maior relevo no momento em que círculos imperialistas fazem ilações sobre a possibilidade de a China "imitar" a Rússia, que realiza uma ofensiva militar sobre a Ucrânia, lançando um ataque a Taiwan, algo que Pequim já descartou. 

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Como demonstração da felonia estadunidense e do seu total descompromisso com a distensão mundial, vale lembrar que no mês passado, durante conversação de alto nível entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, o chefe da Casa Branca prometeu que não promoverá uma nova guerra fria, não tentará mudar o sistema da China, não fará aliança com terceiros contra a China e não apoiará a independência de Taiwan. Biden também manifestou, diante de Xi Jinping, que não quer confronto. 

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Diante desses fatos, a diplomacia chinesa enfatiza reiteradamente que não há margem para  concessões em questões relacionadas a sua soberania, segurança e interesses fundamentais. É evidente o descontentamento com o não cumprimento das promessas da Casa Branca quanto a assuntos sensíveis para a China. A venda de armas a Taiwan, as visitas de autoridades para visitar a ilha e a nova estratégia para a região do Indo-Pacífico constituem uma demonstração cabal de que a conduta dos Estados Unidos é contrária à soberania da China, à estabilidade na região asiática e à paz mundial.  

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