Acordo EUA-China coloca comunismo na vanguarda global

(Foto: Trump e Xi Jinping)

Cuidado, agronegócio brasileiro!

Sei não, viu.

Para levantar tarifas sobre importações de 160 bilhões de dólares de produtos manufaturados chineses, Trump pré-anuncia, eufórico, acordo com a China, que implicaria compra em massa do agronegócio americano por Pequim.

A bancada ruralista em Washington lambe os beiços.

Acha que está próxima de fechar o grande negócio do século.

Os agricultores brasileiros que coloquem barbas de molho.

Tio Sam quer tudo pra ele.

Por que deixaria espaço para os concorrentes sul-americanos?

O acordo comercial entre as duas potências vai definir a nova divisão internacional do trabalho no século 21.

Com a disparada da inteligência artificial chinesa, com 5G, Washington sente que não pode competir abertamente com os chineses.

A geopolítica-econômica chinesa visa inundar o mundo de produtos manufaturados a preços baixos e garantir abastecimento de produtos primários, para tocar seu colosso industrial.

Crédito estatal comunista

Tem, nesse contexto, a estratégia monetária chinesa de manter controle do crédito público nas mãos do estado comunista.

O jogo do poder é a economia política, não a política econômica, como se enganam os neoliberais, que acreditam nos manuais de economia.

A China toca a industrialização e produção bélica e espacial a juro baixo, sem medo de dívida pública, sobre a qual o estado comunista não deixa incidir juro positivo especulativo.

Renegocia ela o tempo todo, esticando prazo e preço, jogando pra baixo, como recomenda Adam Smith, em “A riqueza das nações”.

O banqueiro principal é o Estado, não o banqueiro privado, como no ocidente capitalista.

Alguém aí viu falar em grande banqueiro chinês, tipo Guy de Rothschild?

O Estado é capital, poder sobre coisas e pessoas, como disse Marx.

O poder estatal comunista controla a base monetária para abastecer os capitalistas chineses com juro baixíssimo mundo afora a fim de comprarem ativos nos cinco continentes.

Ninguém compete com eles, que não caem no conto neoliberal de Paulo Guedes.

Os chineses seguem a lição de Lenin e Trotski: controle do dinheiro na mão do estado, para tocar industrialização, enquanto suportam sazonalidades da economia agraria, contra a qual os comunistas soviéticos se renderam.

Mao Tse Tung e seus descendentes, chegando a Xi Jiping, é isso aí: industrializar para conviver com a produção agrícola mundial sobre a qual não tem controle.

Com poder industrial, impulsionado pela inteligência artificial, que aumenta, exponencialmente, a produtividade, jogando preços prá baixo, a política monetária comunista estatal não enfrenta restrição orçamentária.

Terra, a força de Tio Sam

Os capitalistas de Washington estão correndo atrás do prejuízo, mas sem expectativas de vitória no curto prazo.

O poder de Tio Sam sobre os chineses vem da mãe terra, que bombeia o agronegócio americano.

O poder chinês, nesse cenário, é limitado.

Tem que negociar, com humildade.

Os chineses não têm produção agrícola para encher barriga de bilhões de seres humanos.

Feito esse acordo, a China garante, com seu 5G, o mercado americano de manufaturados, que, na verdade, já está no papo.

Depois desse grande acordo, se tudo der certo, o resto vai ser disputado a tapa, na concorrência internacional.

O agronegócio brasileiro terá força para resistir ao grande acordo, ou vai se render aos agricultores americanos, que se disporão a comprar o que tiver à vista de terra brasileira para plantar pra vender prá chinês?

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