Acordo Mercosul-UE amplia multilateralismo global x unilateralismo americano
O colunista César Fonseca também cita a Rússia, e destaca um cenário que pode favorecer a aproximação entre Europa, China e América do Sul
A Europa resolveu aceitar acordo com Mercosul porque teme protecionismo de Donald Trump; ele ajuda as duas partes a enfrentar o imperialismo americano; duas cabeças pensam melhor que uma.
Nova geopolítica global: vence o multilateralismo europeu-sul-americano x unilateralismo norte-americano; ela une os dois continentes que fortalecem, por sua vez, o BRICS, com a força aliada da China, como vanguarda comercial, de um lado, e da Rússia, vanguarda nuclear, de outro.
Sinuca de bico nos Estados Unidos.
A União Europeia, fragilizada pela guerra híbrida e por procuração na Ucrânia, patrocinada pelos Estados Unidos e Otan, visando destruir a Rússia, dá um passo no rumo dos BRICS, ao se unir ao Mercosul, que abre espaço aos produtos europeus, candidatos a serem sobretaxados por Trump.
O continente sul-americano, com o acordo Mercosul-UE, aproxima-se, ainda mais, da China, que facilita negociações triangulares com europeus, fortalecendo-os, relativamente, frente a Washington.
Abre-se adicionalmente para entrar no acordo Mercosul-UE a Venezuela e a Bolívia, fortalecendo-o.
O protecionismo de Trump, ao deixar de ser uma ameaça fatal aos europeus, que o temem, terá efeito atenuado, diante do volume de comércio com a América do Sul, onde a China, por sua vez, avança para financiar infraestrutura sul-americana, elevando a demanda global continental.
Decorrerão desse processo integracionista interligações continentais propícias à união direta e indireta na estratégia global desenvolvimentista chinesa da rota da seda, nos termos dos 37 acordos firmados entre Brasil e China na recente reunião do G20.
Portanto, o G20, segundo PIB mundial, depois do BRICS, entra no circuito do multilateralismo que prega, para atrair aliados dos Estados Unidos integrantes do G20, isolando unilateralismo neoliberal americano.
No plano político, o fortalecimento da Rússia, com seu míssil balístico supersônico, que apressa a paz na Ucrânia, cria as bases de reaproximação dos russos com europeus, o que favoreceria aproximação da Europa da China, interligando-se mais organicamente ao continente sul-americano.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




