Adeus PMDB

A paciência que falta à Dilma é a mesma que nos falta quando observamos tanta imbecilidade que se passa com a legislatura atual de Brasília

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A "crise" vivida entre o Palácio do Planalto e o PMDB não é novidade para ninguém e não passa de uma queda de braço entre a Presidente Dilma Rousseff e a bancada mais assanhada do partido que sempre assombra os governos desde a era Sarney. Partido que dá mais alegrias à oposição do que à sua coalizão.

Vamos por partes: o PMDB é governo desde que eu me entendo por gente, leva alegria à sua base aliada sim, como bem lembrou a Presidente, mas quando está insatisfeito, apresenta a fatura. O que está acontecendo nos últimos dias é prova disso. Liderada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a bancada exige mais cargos e mais participação na Esplanada. Quando falo participação, é ser dona de mais dinheiro. Só isso explica a revolta e a ganância.

O que víamos até pouco tempo era um PMDB com síndrome de adolescente, ou de garoto mimado, mas que ao conseguir o que queria se calava e ficava quieto. O que vemos agora é um PMDB que não está conseguindo exatamente o que deseja.

Passando pelas eras Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula observamos então que os ex-presidentes sempre concediam aos caprichos do antigo PMDB de Quércia até o atual de Renan Calheiros e Eduardo Cunha. O que eu não enxergo é o mesmo tratamento quando se trata de Dilma Rousseff. Uns dizem que falta a ela paciência para ouvir deputados. Outros dizem que ela não sabe fazer o jogo político e muito menos sabe dançar conforme a música imposta pelo Congresso Nacional. E ainda afirmam que isso é ruim.

Ruim para quem? Só se for para os caciques e coronéis que insistem em usurpar a máquina pública em favor de si ou de seus aliados e familiares. Eu vejo isso como um avanço, como algo bom.

A paciência que falta à Dilma é a mesma que nos falta quando observamos tanta imbecilidade que se passa com a legislatura atual de Brasília. E insisto: foi por isso que o asfalto ferveu em junho do ano passado. A crise vivida nos dias atuais entre os Poderes Legislativo e Executivo é reflexo de um tratamento menos frouxo que Dilma oferece aos deputados e senadores. Se a corda estivesse bamba, todos a amariam. Como não está, impõem a ela as piores qualidades.

Vai então um recado que poderia chegar ao Palácio do Planalto: que a Presidente continue tratando a mãos de ferro esse Legislativo promíscuo. Além de garantir aumento de sua popularidade, ela faz um bem enorme ao país. Lula se elegeu em 2002 sem o apoio do PMDB que à época, esteve junto de José Serra e do PSDB. Além disso, o Brasil de hoje está muito mais avançado que o Reino Unido da década de 70, que tirou do poder a "Dama de Ferro" por não ceder às chantagens dos piores tipos da política, que aliás, são os mesmos que hoje tentam tirar o poder de Dilma.

Avante. 2014 está só começando.

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