Aftosa, pedra no sapato da suinocultura

A aftosa é o problema principal enfrentado pela suinocultura porque, embora a última ocorrência em suínos tenha sido em 1993, o setor ainda carrega o fardo da alegação de risco por conta da vacinação de gado

O Brasil possui, atualmente, 23 estados e o Distrito Federal reconhecidos internacionalmente como livres de febre aftosa com vacinação, e Santa Catarina continua sendo o único livre da doença sem vacinação. Falta ainda, para a meta de um país totalmente livre da aftosa, o reconhecimento de Amapá, Roraima e Amazonas por parte da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Para obter essa chancela, converge o trabalho de governos estaduais e da iniciativa privada.

Assim como o Brasil tem progredido no status de livre aftosa com vacinação, precisamos intensificar os esforços para que outros estados, em especial o Rio Grande do Sul e o Paraná, adquiram a condição de livre de aftosa sem vacinação. Para que isso aconteça, é necessário que os estados passem por um período de tempo sem vacinar o seu rebanho.

Em 2000, as autoridades retiraram a vacinação do RS e de SC, porém, somente nesse estado a febre aftosa não voltou. Santa Catarina está há 13 anos sem a doença e sem surto.

É natural que as atenções dos países importadores se voltem para quem produz dentro dos requisitos máximos de sanidade. Por isso, Santa Catarina é cobiçada pelos países aos quais o Brasil propõe negociação de acordo sanitário.

Daí a importância de, uma vez conquistado o status de livre de aftosa sem vacinação, o estado persista na vigilância constante para não perder esse diferencial de ouro.

Antes de SC se tornar livre de aftosa sem vacinação, o Brasil não tinha acesso ao Japão, aos EUA e ao Chile, que representam 25% do mercado importador mundial.

Agora, precisamos obter autorização para exportar carne suína de SC para México, Coreia do Sul, Austrália, Canadá e União Europeia (UE), que representam 26% dos clientes internacionais. Certamente, se quisermos ampliar a participação da carne suína brasileira nessas praças compradoras, deveremos oferecer o produto de outros estados com status máximo de sanidade. Por isso, parece-nos que os mais próximos poderiam ser o Rio Grande do Sul e o Paraná, que perfazem 70% da produção nacional de carne suína. No RS, já foi experimentada a suspensão da vacinação.

A aftosa é o problema principal enfrentado pela suinocultura porque, embora a última ocorrência em suínos tenha sido em 1993, quando ações rápidas e incisivas liquidaram o foco, o setor ainda carrega o fardo da alegação de risco por conta da vacinação de gado.

Outra barreira mundial às exportações de carne suína é a peste suína clássica. O Brasil tem praticamente cem por cento de sua produção de suínos em áreas livres sem vacinação há 16 anos. Esse é um status sanitário privilegiado!

A dificuldade, portanto, para expandir a exportação de carne suína reside na vacinação de febre aftosa em bovinos. Essa é a pedra no sapato do Brasil!

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