Alckmin, mortos-vivos, quartelada, Lula

É melhor que Alckmin encontre um nicho e procure, nesse nicho, dar uma contribuição importante, evitando temas em que possa haver maior controvérsia

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(Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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1. Um nicho para Alckmin

O PV teve uma boa idéia ao propor a Alckmin ingressar no partido e tornar-se, no interior do governo Lula, ao mesmo tempo vice-presidente e defensor principal da causa ambiental (na esfera internacional, inclusive).Sabemos que a visão econômica de Alckmin não coincide com a do PT. Não cabe exigir do ex-governador que ajoelhe no milho e passe a defender o nacional-desenvolvimentismo, embora alguma sinalização nesse sentido seja desejável. É melhor que Alckmin encontre um nicho e procure, nesse nicho, dar uma contribuição importante, evitando temas em que possa haver maior controvérsia.

A temática ambiental teve em Marina Silva sua principal defensora durante o primeiro governo Lula. O conflito entre Dilma e Marina em torno de Belo-Monte, com a vitória de Dilma, acabou fazendo com que a temática ambiental perdesse espaço no interior do segundo governo Lula e ainda mais durante o governo Dilma. Esse infeliz desencontro fez com que o PT perdesse apoio entre defensores do meio-ambiente, em particular no âmbito da classe média (para a classe média "progressista" a temática ambiental tem grande importância; veja-se, a propósito, a interessante reflexão de Eliane Brum: 

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https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/01/opinion/1409578464_024733.html).Alckmin, nesse contexto, preencheria um vazio e prestaria um importante serviço não apenas ao terceiro governo Lula, mas ao Brasil, para não dizer ao mundo, ao abraçar a causa ambiental, tornando-se uma espécie de Al Gore tropical.Uma enorme lista de problemas, aliás, aguarda Lula (e, talvez, Alckmin) na esfera ambiental: desmatamento descontrolado; liberação precipitada e irrefletida de agrotóxicos; a formação de milícias rurais e o assassinato sistemático de defensores do meio-ambiente; a recuperação dos programas de apoio à agricultura familiar e à agroecologia; a retomada de esforços em favor de fontes alternativas de energia; etc.Diante desses desafios, Alckmin faria bem em começar sua imersão na esfera ambiental (e no mundo progressista) vendo com os próprios olhos as extraordinárias conquistas do MST, que atualmente é, entre outras coisas, o maior produtor de arroz orgânico da América Latina (https://mst.org.br/2021/03/29/ato-virtual-celebra-colheita-de-mais-de-124-mil-toneladas-de-arroz-do-mst-no-rs/)

.2. Moro (como Bolsonaro) segue ladeira abaixo

O prato requentado do império já não interessa a ninguém. Moro, como Bolsonaro, tornou-se um morto-vivo. São personagens bizarros que o tempo, com a graça de Deus, tratará de apagar da história brasileira. Rubem Alves dizia: conhecimento é o que fica. Bolsonaro e Moro caminham para a lata de lixo da história. E o Brasil, ao trancos e barrancos, seguirá sua trajetória multissecular: o ajuntamento de gente transformado em povo; a colônia de exploração transformada numa terra próspera e auto-suficiente; o quintal do império transformado num ator internacional de alto nível, no mundo multipolar em formação.

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3. A revolta da Armada

O almirante que chefia a Anvisa deu uma quartelada às avessas e desafiou Bolsonaro para um duelo, sob o pretexto de defender a institucionalidade. Melhor seria que cumprisse sua missão -- defender a Anvisa, ou ainda, a autonomia da ciência -- sem chamar atenção para si mesmo.

4. Nobel

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 Lula é mais do que favorito ao próximo Nobel da Paz. Perseguido, mostrou extraordinária resiliência; consagrado, aceitou a humilhação; absolvido, não busca a revanche; próximo da vitória, recusa o triunfalismo. É ouvido e respeitado nos quatro cantos do mundo. Tornou-se símbolo global da luta por democracia e contra a pobreza.

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