Alcolumbre e bolsonaristas sabotam tramitação da PEC pelo fim da escala 6×1 no Senado
Nos próximos dias, a tarefa é ganhar as ruas, intensificar as atividades nas portas de fábricas e nas redes sociais pelo fim da escala 6×1
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), opera abertamente para atrasar a tramitação da PEC que acaba com escala 6×1. Para levar a cabo o seu intento nefasto, Alcolumbre tem o apoio dos senadores bolsonaristas e do Centrão corrupto.
Até o momento, Alcolumbre não tomou as medidas necessárias para fazer andar a PEC no Senado, como reunir as lideranças partidárias para combinar o rito da tramitação e despachar o texto para o exame e deliberação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Segundo reportagem da Agência Brasil, o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), disse que não recebeu informação sobre a data de envio da PEC à Comissão. Uma reunião entre Otto e Alcolumbre, prevista para esta semana, foi desmarcada pelo presidente do Senado.
No entanto, Alcolumbre enviou à CCJ a PEC apresentada pelos bolsonaristas – e elaborada pelas federações patronais – contra o fim da 6×1, uma proposta que mantém a atual escala de trabalho e implanta a contratação por hora trabalhada, violando os dispositivos de proteção contidos na CLT.
Alcolumbre manobra para ganhar tempo na tentativa de esvaziar a PEC do governo Lula e até mesmo adiar a votação do projeto para depois das eleições de outubro. Ele faz o seu jogo sujo de olho no calendário legislativo, o recesso no Senado tem início no dia 18 de julho.
Ganhar a rua e ampliar a pressão sobre os senadores
A aprovação da PEC pelo fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados foi resultado da mobilização social nas redes, das ações de rua do movimento VAT (vida Além do Trabalho), das audiências públicas nos parlamentos municipais e estaduais e dos atos organizados pelos sindicatos. Ou seja, foi a combinação das diversas formas de pressão e de luta que obrigou a maioria da Câmara aprovar o projeto.
A sabotagem de Alcolumbre, de Rogério Marinho (PL) e Flávio Bolsonaro (PL), a serviço do patronato reacionário e escravista, teve início no dia seguinte da vitória dos trabalhadores na Câmara dos Deputados.
Na verdade, Alcolumbre escalou a proposta dos patrões e da extrema direita para embaralhar o processo e travar a aprovação da PEC do fim da 6×1, garantindo a continuidade da atual jornada de trabalho e a superexploração da classe trabalhadora.
A saída para garantir a conquista obtida na Câmara (5×2, redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, e sem redução de salário) só será possível com a pressão organizada dos trabalhadores e dos sindicatos.
Nos próximos dias, a tarefa é ganhar as ruas, intensificar as atividades nas portas de fábricas e nas redes sociais pelo fim da escala 6×1.
Alcolumbre no BolsoMaster
Nesta sexta-feira (12), a revista semanal Veja apresentou a denúncia que o senador Davi Alcolumbre recebeu a mega propina de R$ 155 milhões de reais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, engrossando o escândalo BolsoMarster.
O repasse dessa montanha de dinheiro foi descoberto pela Polícia Federal no curso das investigações do caso, que envolve as principais lideranças políticas do bolsonarismo – como Flávio Bolsonaro – e do Centrão, Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, entre outros propineiros do baixo clero.
Resta saber, o nível do impacto político da denúncia na agenda do Senado. De toda forma, é ampliar a pressão sobre o Congresso inimigo do povo.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

